Ah, esse mundo maravilhoso do marketing político! Lula, o candidato líder e ainda em ascensão, 49% das intenções de voto, segundo o Datafolha, está prestes a lançar seu plano de governo após quatro anos de mandato.
O presidente que mais conhece o Brasil, que entende o povo, que iria provocar o espetáculo do crescimento “como nunca se viu antes na história deste país” e que agora vem novamente pedir seu voto para – ele adora usar a palavra país – “colocar este país nos trilhos” deveria apresentar um plano de metas, com números e projetos claros, baseados nesta vasta experiência, certo?
Errado. Como todos os outros, o presidente terá um programa de governo genérico, que agrade toda sua base aliada, do historicamente comunista PC do B ao mais novo partido dos bispos, o PRB.
Os aliados e o próprio PT querem um redirecionamento da economia, mais à esquerda, mas Lula, em encontro com empresários, defende a continuidade. Para que o texto da cartilha deixe todos contentes, opta-se pelo “novo modelo de desenvolvimento”, seja lá o que isso signifique.
No site do partido, o coordenador da campanha e presidente do PT, Ricardo Berzoini, avisa que o programa de governo será lançado dia 29 e afirma que o povo já conhece “a história e a trajetória das pessoas, e por isso não a mede em dois ou três meses. Já existe uma avaliação sobre o que representou o governo Lula nesses quatro anos e o que pode representar nos próximos quatro”.
O que pode representar? Você pode ser um brilhante diretor o ano inteiro na sua empresa, mas fique sem apresentar o plano de metas para o ano seguinte para ver a reação do seu chefe!
Aqui, como nós, os patrões, segundo a propaganda do TSE, ainda não aprendemos a exigir profissionalismo dos que comandam nosso país, Estado ou cidade, tudo se resolve com uma embalagem bonita.
É mais fácil substituir as horas de raciocínio e debates para a elaboração de um projeto de país viável pela preocupação com o melhor enquadramento para TV. O plano de governo dá lugar aos planos gerais, médios e closes.
E dá-lhe folheto com o candidato sorrindo em fotos superabertas, sites cheios de firulas e modernidades, mas com conteúdo calcado no passado, jingle pegajoso e clipes com ceninhas emocionantes.
Competente esse pessoal do marketing, não? Como são capazes de tudo para nos seduzir e convencer a dar nosso humilde voto ao elegante candidato, acho que eles deveriam virar o jogo na próxima eleição, para que o caminho fique mais direto.
Se vamos eleger a campanha mais bonita, nada mais justo que o eleito seja o próprio marqueteiro, no lugar dos políticos.
P.S.: Estarei ausente na próxima semana. Volto ao posto no dia 8.
4 Comentários até o momento
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Pingback por Domínio Público » Blog Archive » Em destaque, no Domínio Público: 25 Agosto, 2006 @ 1:20 amÉ Cylene… É tanta política nessa mídia que poderíamos inverter mesmo o nosso voto. Quem sabe agora com a TV digital poderemos até votar sem sair de casa!! Uau!
Comment por Fred 1 Setembro, 2006 @ 4:30 pmAdorei o texto! Bjos!!
bom… eu sempre aprendi que vc deve adequar o produto ao cliente e não o contrário… quem é o produto? o político. e quem é o cliente? o povo. o povo tá interessado em plano de metas e blah blah blah? não. então nada feito
… um jingle ‘pegajoso’ vende muito mais…. se bem que… não é só lula que não tem um plano, nenhum candidato tem! pelo menos nenhum que resista a mais de duas perguntas objetivas…
Comment por maurelio 25 Setembro, 2006 @ 10:18 pmessa ea melhor banda de fortaleza…
Comment por leandro barros 24 Agosto, 2007 @ 5:25 pm