Domínio Público


Blogando no deserto
4 Dezembro, 2006, 6:41 pm
Arquivado em: Análise da Mídia, Vinícius Cherobino, blogs, jornalismo

É triste. Escrevo aqui, num ato religiosamente semanal, e poucos me lêem. Na definição de negócios, devo estar participando de um blog D level, menos de 100 acessos diários, sendo uns tantos bem viciados. Bom, o Domínio não é revolucionário, não tem grande design, não conta com nomes consagrados (tirando o Lusa, claro); em suma, não vai mudar o mundo.

Em um post pra lá de desanimador, do Wall Street Journal, a geração de jornalistas/blogueiros recebe uma dedada no olho: morreu a idealização blogística. Ainda que no post (veja só, um post matando o blog) aja uma inevitabilidade difícil de aceitar, um ponto parece claro: os blogs não são revolucionários, não são a única resposta, não tem o poder de –sozinhos- mudar o mundo. Não vão –mas de jeito maneira- salvar a mídia e acabar com o problema de notícias viciadas e o poder mandando no jornalismo.

Vai, faz um esforço, isso não é tão difícil de entender. Tirando a gritaria alucinada -que acontece sempre que uma novidade é grande o suficiente para alterar o comportamento de várias pessoas em várias partes do mundo-, os blogs estão caindo do hype. De bunda, aliás. O que o blogueiro argumenta é sensato: trata-se de uma ferramenta como qualquer outra. Não dá pra esquecer, porém, que é uma ferramenta do caralho e com possibilidades do caralho.

E isso não é só problema de acesso. Mesmo os mais famosos, aqueles que contam com newsletters com milhares de endereços e são listados em semanários também estão sofrendo um certo cansaço. Tem um amigo meu, colega de profissão, que chegou num xeque desses: “ah, legal, tem um monte de gente me lendo, e o que eu faço com essa porra?”. A resposta? “essa merda é tão importante quanto as outras merdas”. E é mesmo.

Com os objetivos claros, a sobrevivência parece mais certa e –why not?- mais lírica. Por que escrevo para tão poucos me ler? Porque esses poucos importam. Demais. Mesmo mesmo mesmo. E se fossem muitos? Sei lá, talvez valesse, talvez não.

Escrever, ao contrário do que dizem e do que os anos e anos de faculdade tentaram matar (falhando miseravelmente), é um prazer. E, no final das contas, é arte, porra!


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Em um mundo em que as relações humanas são mediadas pela economia, o resultado é o que importa, meu caro. E resultado, nesse contexto, são números. Isso não impede que tentemos resgatar outros valores e prazeres, como o de escrever e, afinal, ler as crônicas de segunda-feira no Domínio Público. Abraços!

Comment por Gerson Freitas Jr.




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