Domínio Público


Pinochet morreu, salvem o Pinochet
11 Dezembro, 2006, 4:31 pm
Arquivado em: Análise da Mídia, Pinochet, Vinícius Cherobino, sociedade

Aí, de repente e num vai-não-vai que demorou uns bons dois anos, morreu Pinochet. Cai, finalmente, o penúltimo ditador mais ou menos vivo da América Latina, aos 92 anos de uma vida repleta de acontecimentos. 

Morreu solto, lembrou PDória. É, foi mesmo… Solto e doentinho, ferrado com seus infartos misteriosos, sua esclerose um tanto duvidosa, os vai e vem de prisão domiciliar, extradição mandatória. Divide os chilenos em sua morte e, em reportes muito pouco confiáveis, leva multidões em sua despedida. Contra e a favor. 

O ministro chileno Ricardo Lagos colocou na mesa: nananinanão. Em governo de “esquerda”, ditador não ganha funeral com honras de chefe de estado! Nada de bandeira no caixão, traslado pelas ruas em carro aberto, choro motivado pelas grandes redes de tevêlisão, tristeza que toma as ruas de roldão. “Aquele que era tempo bom”. Nada disso. Vai ganhar enterro de comandante do exército, no máximo. O governo da “violentada” Michelle Bachelet vai deixar as bandeiras a meio pau, só nas instituições militares. E olhe lá! 

Por outro lado, o silêncio com que trataram tão augusta figura lembra o comportamento tupiniquim com que se trata do mesmo assunto no Brasil. A tortura teórica, as mortes teóricas, o Brasil que crescia… Mas, enfim, fica para a morte dum grandão de cá. 

Pino morreu de crise cardíaca múltipla. A qual, o vão cronista aqui, numa atitude bem sem vergonha, aproveita e destaca a licença poética do negócio. 

Se por um lado, comemora-se o final de uma lenda ruim, outra coisa dói mais no coração (e não falo de uma crise de múltiplas dores). Já disse o seu Jânio (texto completo para assinantes, infelizmente): ele morre, mas não vai embora não.


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