Tô cansada de dizer e ele não escuta esse homem sai todo dia de manhã atrasado porque eu chamo chamo chamo e ele não escuta eu digo que tá na hora de ir pro trabalho que ele vai perder o ônibus das seis e quarenta e cinco e ele vira pro lado resmunga cobre a cabeça e eu lá só olhando só vendo ele chegar tarde na firma e baixar a cabeça pra levar pito chefe mas pra mim ele não baixa não ah não chega em casa de ovo virado bafo de pinga e ainda diz que a culpa e minha porque eu só faço uma coisa na vida só uma coisa na vida que é cuidar dessa casa e ainda cuido mal não presto nem pra isso desgraçado mas quem é que fica aqui no tanque raspando o casco até formar calo pra tirar a graxa daquela rouparada imunda que ele traz da fábrica quem é que esfrega tudo até ficar tinindo a burra de carga aqui e os menino que trabalheira todo dia é mãe isso mãe aquilo mãe cadê minha cueca mãe acabou o sabonete parece que não tem pé nem mão e a burra de carga aqui agüentando calada mas um dia eu ainda pego todo mundo de jeito um dia eu canso de tudo isso e sumo daqui sem deixar rastro vou embora arrumar um trabalho de faxineira que se é pra trabalhar que nem mula que seja pra ganhar uns trocos e trocar esses trapo velho que eu uso no corpo onde já se viu gente se vesti desse jeito toda mulambenta mas também se não for assim como há de ser o dinheiro mal dá pra comida e os sapato dos menino tá tudo furado tudo gasto que dá até vergonha de levar eles até a porta da escola quem dera entrar um dinheiro eu podia trocar os tênis e as camisa também que tá tudo puída limpinha mas puída dá até tristeza de ver as gola esgarçada mais vai se fazer o que mal tem dinheiro o dinheiro do feijão e do arroz o jeito mesmo é conformar o Zé também faz o que pode fica até tarde na firma agüentando aquele traste do chefe dele pudera que ele se enfeza mas não precisava descontar na gente eu é que não tenho culpa e nem os menino que só que uma ajuda com tarefa e tem que ficar ouvindo a mesma ladainha todo dia que eu ponho comida nessa mesa mas nada é suficiente e ninguém me respeita nessa casa e já amarra um bico estraga com a janta que a burra de carga preparou com tanto suor catando as moeda pra comprar uma mistura e botar uma mesa decente pra essa família um dia eu ainda me acabo de tristeza vou parar no Juqueri de tão louca que me botam eu aqui com a barriga molhada ralando nesse tanque e esse bando de ingrato que só faz reclamar da vida quero ver no dia que eu faltar o que eles fazem da vida eu já não tô boa da cabeça qualquer dia eu tenho uma síncope e vou parar no hospital e eles nem vão saber que fim que eu levei quero vê a Dona Carminda cuidar das suas roupa do jeito que eu cuido é Zé quero vê sua mãezinha querida fazer sua marmita todo dia cedo pra você não levar comida requentada e quero ver ela fazer os menino voltar da rua e tomar banho na hora certa ah não há quem faça deixa estar que um dia eu sumo mesmo desapareço e eu aí quero vê acabou-se a festa.
- Maria, vem acudir esse feijão que já ta cheirando!
- Já vou, Zé. Já vou…
4 Comentários até o momento
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Minha marmota querida……….. muito bom…. parabéns….. quase que ouvi minha mãe falando, com as devidas diferenças….hahaha
Bjs e saudades
Comment por Diego Bonel 25 Janeiro, 2007 @ 2:25 pmLindo, minha querida. Bravíssimo…
Comment por Gerson Freitas Jr. 26 Janeiro, 2007 @ 4:10 pmah dani…que bonito e triste.
Comment por Fabi 26 Janeiro, 2007 @ 5:07 pmFazia tempo q eu não passava por aqui.
E saramago que não te veja deixando de pontuar assim…rs…
Mas é bem assim, reclamam, mas se sujeitam.
A estelinha costumava dizer: Toda vítima é cúmplice do opressor.
Bjos
Oi, Dani!!
Ameeeei o texto!!!
Bjão e saudades!!!
Comment por Suzana Inhesta 27 Janeiro, 2007 @ 8:24 am