Arquivado em: Daniela Moreira, direitos humanos, globalização, lixo eletrônico
Esta poderia ser a história de uma menininha chinesa que encontrou um lindo teclado cor-de-rosa com uma linda maçãzinha mordida bem no meio de uma imensa montoeira de lixo, vinda de um continente qualquer, e achou que nunca tinha encontrado coisa mais bela na sua breve vidinha, pois por ali nunca apareceu nada assim tão lindo e tão cor-de-rosa, e ainda por cima com uma maçãzinha mordida bem no meio.
Mas não é. História de gente que vive no meio do lixo, que vive do lixo e do lixo venenoso, não pode ser história bonitinha, nem fazendo muita força. É história do que é ser globalizado na China ou na África. É receber 500 toneladas de lixo por dia lá da Europa ou dos Estados Unidos ou de qualquer outro canto do mundo achando que está recebendo presente.
Computador quebrado, TV que não funciona e teclado cor-de-rosa, que já não presta pra nada. Presente de grego – ou de norte-americano. Mas lixo é lixo em qualquer lugar do mundo. E nem uma garotinha chinesa de sete anos se deixa enganar.
Talvez ninguém por ali saiba muito bem de onde vem toda aquela monteira de coisa ou porque aquilo vai parar ali. Certamente ninguém lhes disse que é mais prático exportar esse tipo de problema do que resolver no quintal de casa. Mas como ali está, tira-se o que é de proveito e o resto vira o que já era mesmo. Lixo.
O lixo, por ali mesmo se queima ou por ali mesmo se larga. Esqueceram de lhes contar, talvez, que este tipo de lixo assim, no ar, na água, no chão, causa doença, mata, por isso lá pras bandas do oeste ninguém quer por perto. A bem da verdade, ninguém gosta de lixo, como se supõe por aí. Mas tem quem precise dele, e isso já basta.
Esta poderia ser a história de uma menininha chinesa que viveu no lixo, brincou no lixo, cresceu no lixo e morreu de câncer aos 21 anos. E ainda pode ser.
6 Comentários até o momento
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eu ando bem revoltada com a maçã… vc viu isso aqui? http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=6520
Comment por Silvia 26 Abril, 2007 @ 11:39 pmpois é… o IPod da minha filha quebrou e babau!!
Eu não tinha visto essa notícia. Mto triste e mais triste ainda porque sabemos que o que não foi ainda pode ser.
Comment por Fabi 27 Abril, 2007 @ 12:06 pmbjão e bom fds
Excelente, Dani. Não apenas uma história sobre o que é “ser globalizado na China ou na África”, mas também sobre o que é ser “ambientalmente responsável” nos países desenvolvidos. Contradições que nenhuma tese explicita tão bem quanto a foto de uma pequena chinesa no lixo. Parabéns.
Comment por Gerson Freitas Jr. 27 Abril, 2007 @ 4:23 pmOi, Dani!
É assustador mesmo pensar na quantidade de lixo que a indústria de TI produz. A Apple é uma vergonha quando o assunto é responsabilidade ambiental. Por um lado, vejo uma evolução nesse sentido, com um número cada vez maior de empresas que aderem ao ROHS e outras diretrizes voltadas a reduzir o impacto do desenvolvimento no meio ambiente. Por outro, parece que tudo acontece a um ritmo tão lento, não é? O pior de tudo é o descaso com que a imprensa trata o assunto. A transformação deve partir de todos os lados.
Beeeeeeijo!
Comment por Silvia Paladino 1 Maio, 2007 @ 1:37 pm[...] que alguma parte do que chega dos países desenvolvidos não seja exatamente um presente, coisas como essas e outras estão vindo. Inapelavelmente vão chegar junto com as fábricas, com [...]
Pingback por A revolução do outsourcing « Domínio Público 4 Maio, 2007 @ 6:20 pmOi
o lixo é um grande museu de coisas util e nao util porque o lixo que nos jogamos na natureza demora geraçao para se decompor. Por ex eu só tecnico de informatica e ja apamhei muitas peças importante.
Comment por silvanolucas 13 Março, 2009 @ 3:16 pm