Por Eduardo Simões
Nunca um boom em um setor da economia foi tão barulhento quanto a recente explosão na indústria imobiliária. Não só pelo ingresso de incorporadoras e construtoras em bolsas de valores, atraindo centenas de milhões de reais em investimentos. Não só pelas propagandas barulhentas e repetitivas que tomam de assalto rádio e TV ao som de clássicos da Música Popular Brasileira. Não só pelos panfletos distribuídos nas ruas que acabarão colaborando com a próxima enchente entupindo algum bueiro.
Por muito mais que isso, e para se ter certeza disso basta morar o lado de um desses empreendimentos em construção. A coisa começa pouco depois das sete da manhã com a colocação de estacas de fundação do edifício. De repente o cidadão se pega sonhando com um bombardeio na Terceira Guerra Mundial, acorda assustado e percebe que o barulho não é do sonho, é de um pesadelo real.
Bom, vá lá, há que se ter tolerância, afinal quando eles decidiram derrubar o velho casarão para abrir o terreno para o prédio você suportou, por que não suportar agora novamente?
O problema, e aí vem mais uma da série ‘se fosse em Lisboa era piada’, é que por volta de dez, onze da manhã, quando todo mundo já acordou, eles param com o barulho. Não seria mais sensato fazer a parte “não-barulhenta” às sete da matina e a parte barulhenta já perto do meio-dia?
Enfim, o importante é que de noite tudo estará mais calmo. Estará? Não é bem assim. Ora, o que se pode fazer se o caminhão que recolhe entulho não pode entrar na rua durante o dia? Simples, ele entra de madrugada e tira o entulho do terreno e o sono da vizinhança. Som e imagem agradáveis no pé da sua janela às duas da manhã, nada como morar num bairro tranqüilo, onde todos os terrenos já estão tomados, pena que alguém inventou a demolição.
E o pior, o boom imobiliário, com todas as conseqüências, principalmente sonoras, da palavra boom, também tem produzido preços escandalosos e barulhentos. Imaginem só um apartamento de meros 76 metros quadrados e dois dormitórios à bagatela de 330 mil reais. É o boom, meu caro, é o boom. Só que uma hora ele explode, mais cedo ou mais tarde, mas explode.
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Comentário por hjgjjjbhhvnhhhb 6 Novembro, 2007 @ 12:46 pmbla bla
Comentário por eu 31 Janeiro, 2008 @ 2:41 pm