Wagner Montes, pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro e líder nas pesquisas de intenção de voto, defendeu na semana passada a restauração dos velhos Cieps, as escolas de tempo integral criadas por Leonel Brizola nos anos 1980. Mas o que Montes conseguiu mesmo, com toda sua crueza de raciocínio, foi explicar em poucas linhas o porquê do desastre educacional brasileiro.
* O Estado de S. Paulo, 21/01/2007
Na cabeça do favorito para ocupar a cadeira de prefeito da segunda maior cidade do País, criança (criança pobre, é claro) é resumida à condição de boca mesmo quando o assunto é a sua educação. A discussão sobre a formação do caráter, os meios de estimular habilidades intelectuais e artísticas e o preparo adequado para o mercado de trabalho dá lugar a uma simplória equação de bocas, como se elas precisassem apenas de comida.
A desgraça é que essa concepção utilitarista permeia o pensamento da maioria dos políticos destas bandas. Em seu discurso, a escola é sempre mostrada como o meio de garantir um assistencialismo qualquer, tempo para que as mães trabalhem ou mesmo uma pretensa proteção das crianças contra os “tentáculos da criminalidade”. Mas, nunca, como o espaço formador por excelência de cidadãos pensantes.
O Brasil vive um período de conveniente e escancarado desprezo coletivo pelo conhecimento, o que fica demonstrado não apenas nos péssimos resultados obtidos nas avaliações internacionais, mas na ascensão de políticos boçais como Montes, que prometem o manjado “livro pra comida, prato pra educação”. Mais um sinal de atraso no país do futuro: ser um país de muitas bocas e poucos cérebros.
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Ótimo texto…
Infelizmente, essa é a realidade de um Brasil grotesco e não-civilizado. E depois reclamam da sátira que fizeram sobre nós nos Simpsons!
Parabéns, qrido!
Comentário por Joelma 28 Janeiro, 2008 @ 10:41 am