Domínio Público


Costela de Adão
13 Fevereiro, 2008, 1:33 pm
Arquivado em: Eduardo Simões, crime, machismo, sexo

Por Eduardo Simões

Já conhecia Simone há uns quatro meses, tinham um amigo em comum e começaram a conversar. Otávio logo se interessou e rapidamente trocou telefones, endereços de Messenger e essas coisas todas com a moça. Conversavam bastante, mas ele achava que ela nunca dava a deixa para que ele tentasse uma aproximação final.

Foi quando Simone decidiu chamá-lo para uma festa de formatura de um conhecido, amigo ou coisa que o valha. Topou na hora. Ficou de encontrá-la já dentro do salão da festa. Colocou um terno, arrumou uma gravata nova que, segundo o vendedor, “parlava italiano”. Chegou confiante e garboso. Tinha que ser ali, afinal ela não o teria convidado se não esperasse dele uma atitude ali.

Cumprimentou um monte de gente. Tias, tios, amigos, conhecidos e tudo o mais. Quando finalmente se desvencilhou das formalidades, foi logo tentando puxar assunto com Simone, esperando um sinal, um sorriso. Se não tivesse ia para o tudo-ou-nada.

Mas de repente chega um outro cara, mais forte, mais alto e mais bonito que Otávio, Ele cumprimenta Simone com um beijo no rosto e um longo abraço. Na expectativa, Otávio fica de lado, esperando o cara ir embora para que pudesse continuar de onde parou. Simone o apresenta. É seu primo Ernesto do interior, que ela não via “há o quê? Uns seis anos?”.  E sorri largamente para, em seguida, se engajar em um longo papo com o primo.

Otávio certamente não esperava esse contratempo. O melhor que tem a fazer é ir tomar um drinque enquanto espera esse papo chato sobre bobagens da infância acabar. Vai até o balcão e apanha um copo de uísque. Só que alguns minutos depois, copo já vazio, a conversa entre Simone e Ernesto segue animada, e adornada por carinhos mútuos, ora no braço, ora no rosto.

“Ora, que maldição!” Se lamenta Otávio, o jeito é pedir outra bebida. O copo já é o quarto e nada da conversa terminar. A cólera já começa a tomar conta de Otávio, que sequer tira os olhos dos dois primos para pedir outra dose de uísque, que já começava a se contar na casa das dezenas.

De súbito ele não se agüenta mais de raiva, toma o décimo-quinto copo de uísque num gole só, o coloca no balcão com força, limpa a boca com a manga da camisa e parte decidido em direção à mesa de Simone. Antes que ela ou Ernesto pudessem dizer algo, Otávio empurra o primo e lhe desfere um potente soco no rosto. Ainda enfurecido, ele aproveita que o adversário está no chão e pisa em seu tronco com ódio. Arma-se o escândalo e os seguranças expulsam o cambaleante Otávio do salão.

Horas depois, Otávio escuta a campainha do telefone, faz um enorme esforço para levantar, mas a ressaca e a dor de cabeça são insuportáveis. Percebe que já amanheceu e, com dificuldade atende ao telefone. A voz do outro lado, a do amigo em comum com Simone, lhe conta com ar sombrio.

- Cara, o primo da Simone morreu. Uma das três costelas quebradas perfurou o pulmão e ele não resistiu ao sangramento interno. É melhor você arrumar um advogado.

Desliga o telefone, mal digere a informação que acabara de receber e a campainha toca. Abre a porta e vê Simone com um semblante enfurecido. Sem pedir licença nem nada ela adentra em seu apartamento. Otávio fecha a porta e tenta se desculpar.

- Olha, me desculpa. Eu não devia ter feito aquilo, eu tava com umas a mais, mas nunca que eu querer machucá-lo e…

Foi interrompido por uma sonora bofetada na face direita.

- Cala essa boca! – diz Simone ao mesmo tempo em que o empurra no sofá, monta em cima dele e lhe dá um libidinoso beijo na boca.

- Finalmente você tomou uma atitude de homem, honrou as calças que veste.

E copularam ali mesmo, enquanto não muito distante dali tias, tios, amigos e conhecidos choravam a morte precoce do jovem Ernesto.


1 Comentário até o momento
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Lusita, que coisa mais rodriguiana… Muito bom! Bjs.

Comentário por Daniela




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