Arquivado em: Daniela Moreira, Uncategorized | Tags: censura, internet, liberdade de expressão, wikileaks

Por Daniela Moreira
O título não se refere a um site pornográfico censurado. Trata-se do Wikileaks.org, onde, até esta segunda-feira, era possível publicar anonimamente documentos sigilosos – ou seja, bancar o “garganta profunda por um dia” sem deixar rastros virtuais.Um tribunal da Califórnia acabou com a folia, determinando o fechamento do site nos Estados Unidos. O motivo: o site foi responsável por vazar documentos que denunciavam supostas operações de lavagem de dinheiro e evasão de impostos praticadas pelo banco suíço Julius Baer via Ilhas Cayman.
Antes da pendenga legal, o site foi responsável, entre outras coisas, pela publicação de documentos que embasaram denúncias de operações do exército norte-americano para perseguir terroristas iraquianos atravessando as fronteiras com a Síria e o Irã e revelaram políticas da prisão de Guantanamo que impediam o contato dos prisioneiros com representantes da Cruz Vermelha – ambos casos reportados pelo New York Times.
A Wikileaks se define como “uma Wikipedia sem censura para vazamento e análise de documentos”. O objetivo principal, segundo o próprio site, é denunciar “regimes opressivos na Ásia, ex-bloco soviético, África Subsahariana e Oriente Médio”, mas o Wikileaks também se presta a revelar “comportamento antiético de governos e corporações” localizadas em qualquer região.
O real objetivo por trás do site já foi questionado por detratores, assim como sua real capacidade de garantir a segurança e a privacidade dos informantes anônimos. Críticos apontaram ainda que o site poderia sim ser usado para o bem, mas também estaria à disposição do mal – poderia, por exemplo, ser usado para divulgar informações falsas ou de interesse próprio (parênteses para um argumento complicado: não seria essa a natureza ambígua da própria internet???).
Enfim, o banco reclamou, a Justiça acatou e o site saiu do ar. Bem, não exatamente.
Sem entrar no mérito pra lá de questionável do processo que decidiu calar a “garganta profunda virtual” (em plena terra da primeira emenda), na prática, a decisão será difícil de vingar.
Além das versões belga e alemã do site, que continuam no ar, o Wikileaks já tem espelhos e backup em arquivo torrent, informou John Paczkowski – que classificou o processo como uma tentativa de “tirar o xixi da piscina” –, no blog All Things Digital.
O recado é claro: não dá para fechar a web.
3 Comentários até o momento
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Pois é, a arrojada Wikileaks. Sucede que houve um sujeito que quis ver publicada via ‘them’ a notícia, perfeitamente documentada, de que o Estado português não se tornou membro de pleno direito das Comunidades Europeias (porque o acto presidencial de ratificação não foi objecto de referenda segundo preceituado na Constituição), e saiu-lhe de ‘lá’ o jornalista Rui Araújo a dizer que consultou sobre o caso um constitucionalista português(vindo depois a admitir estar algo «arrependido» de se ter dirigido a um jurista muito próximo do Bloco Central…)para concluir que, por isso, «não ia fazer uma reportagem sobre o assunto»… A Wikileaks, pois!
Comentário por Carlos C. de Matos 29 Outubro, 2008 @ 10:38 am«Detectado comentário repetido; parece que você já disse isso!»____ Esta mensagem é falsa: eu não deixei antes comentário absolutamente nenhum! Se ´não dá para publicarem este (o anterior), isso é outra coisa!!
Comentário por Carlos C. de Matos 29 Outubro, 2008 @ 10:43 amSeu e-mail não será publicado. Viu?!
Comentário por Carlos C. de Matos 29 Outubro, 2008 @ 5:23 pm