Domínio Público


Reforma e motivações políticas by Gerson Freitas Jr.
8 agosto, 2006, 8:00 am
Filed under: Gerson Freitas Jr., política

Não é de hoje que os políticos falam em reformar. Querem mudar quase tudo: a previdência, a política, os tributos, a educação, a saúde, o judiciário e o sistema prisional, dando mais ou menos importância a cada uma conforme a conveniência do momento.Soa bem. Reforma dá idéia de grande empreitada, de reconstrução, casa nova, mundo novo. Pressupõe que o atual estado das coisas é ruim ou arcaico (ou as duas coisas) a ponto de pequenas intervenções, melhorias ou esforços localizados serem inúteis perante uma estrutura que já está comprometida.

Tal percepção leva à conclusão de que as coisas no Brasil não funcionam bem porque as estruturas o impedem. Logo, não dá pra exigir bons hospitais, impostos mais baixos, educação de qualidade e presídios que comportem os criminosos. Antes, é preciso reconstruir a casa, o que leva muito tempo e muito esforço.

Nesta campanha eleitoral, o discurso da reforma está, de novo, no auge entre os principais postulantes à presidência. Os desafiantes Geraldo Alckmin e, quem diria, Heloísa Helena apostam suas fichas na reforma tributária, mas foi o presidente Lula quem conseguiu chamar a atenção com sua proposta de mudança estrutural.

Na esteira dos escândalos que marcaram sua gestão, o petista agora clama pela reforma política como único caminho de moralizar as relações entre executivo e legislativo. Lula explora o consenso de que o atual sistema dificulta a governabilidade e “obriga” o governo, seja de qual partido for, a negociar com parlamentares e partidos fisiológicos a aprovação de seus projetos.

De fato, a política é a mais necessária das reformas, pelos motivos já colocados. Tudo verdade. Mas colocá-la na pauta a menos de dois meses das eleições, no início de uma campanha em que será obrigado a prestar contas pelos escândalos de corrupção que marcou seu governo, demonstra nada mais do que oportunismo do presidente da República. Assim como as grandes reformas são usadas como pretexto para explicar o que não funciona nesse país – e não se fazer nada a respeito – Lula parece querer usar a bandeira da reforma política para justificar a corrupção, como se compra deputados, caixa dois e desvio de dinheiro público das estatais pudessem ser explicados.

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1 Comentário so far
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No início trata-se de reformas e no fim o que se vê são missões de tapa-buracos…
Esta eleição não prometia novidades e pelo visto ninguém fez nada para surpreender, nem sequer há ataques agressivos… o sr. Presidente não quer debate, e a oposição não quer dar o ataque, é um verdadeiro “bolo de chuchu” como tem sido denominado o ex-governador Geraldo Alckimin.
O fato é que todos sabem que a sacada desta campanha é falar sobre moralidade e bons princípios, só não se sabe de onde extrair este testemunho.
Abraço, Gerson.
AC

Comentário por AC




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