Domínio Público


Financiamento Público de Campanha. “Unanimidade” burra by Eduardo Simões
9 agosto, 2006, 8:08 am
Filed under: Eduardo Simões, política, reforma

Virou moda em época de eleição. Falou em reforma política (com ou sem constituinte), falou em fidelidade partidária e financiamento público de campanha. Ponto pacífico, assim como a necessidade de se fazer a tal reforma.

Fidelidade partidária me parece ok, questão de coerência. Agora, financiamento público de campanha? Ou seja, eu, você, seu vizinho, o dono da padaria, o cara que senta ao seu lado no trabalho financiando campanha política? Inclusive daquele candidato que você jura que, se ganhar, você se muda para o Tibete? Já não basta a população financiar as campanhas com as verbas publicitárias que os políticos enfiam no orçamento? Com os valeriodutos e as sanguessugas?

Não existe mecanismo que impeça o caixa dois nas campanhas. Pela proposta de financiamento público que qualquer cidadão pode ter acesso pelo site da Câmara eu só posso acreditar que o valor destinado em Orçamento às campanhas será insuficiente. Resumindo, mais caixa dois.

Ora, a proposta diz que o valor destinado às campanhas sairá de uma fórmula simples. Multiplica-se o número de eleitores em 31 de dezembro do ano anterior ao do pleito por sete reais. Atualmente o Brasil tem cerca de 125 milhões de eleitores, o que daria 875 milhões de reais extras no Orçamento para a “festa da democracia”.

As previsões de gastos apresentadas pelos candidatos à Presidência somam 279,1 milhões de reais. O que significa que sobrariam 595,9 milhões para a campanha de candidatos a governador, senador, deputados federal e estadual em 27 estados. Será que dá?

Além do que, até onde me parece, o volume para as campanhas de prefeitos e vereadores seria tirado da mesma fórmula, apesar do número bastante menor de candidatos. Em suma, teremos pela frente um futuro de campanhas municipais ricas contrastando com estaduais e presidenciais mirradas. Essa nem a Velhinha de Taubaté acreditaria, se ainda viva fosse.

Ademais, que raio de democracia é essa em que o cidadão é obrigado a financiar a campanha até mesmo de um candidato pelo qual não nutre um pingo de simpatia, seja ela pessoal, ideológica ou afetiva. Basta imaginar que o Chico Buarque ajudará a financiar a campanha do Jair Bolsonaro, por exemplo. O Mario Amato será um dos colaboradores das campanhas de Heloísa Helena e Rui Costa Pimenta.

Mas no Brasil tudo pode. Ah se fosse em Lisboa! Tinha virado piada de português, e das boas! Daquelas que se conta à mesa farta do almoço de domingo, com bastante macarronada e, por que não, pizza.

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1 Comentário so far
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Sou a favor do financiamento público de campanha e darei meu motivo para isso.

Hoje, o financiamento é feito pelo próprio partido. Muitas vezes de doações de empresas e personalidades certo? Errado!

As empresas e personalidades que financiam as campanhas são as mesmas que prestam serviços para o governo, são as mesmas que ganham licitações e que superfaturam as mesmas para que posteriormente possam financiar tais campanhas.

E, saindo então esse dinheiro do próprio governo, quem está pagando? Todos nós que pagamos impostos, e muitos impostos aliás.

Com o financiamento público de campanha, todos os recursos sairiam da mesma forma do governo, ou seja, de nós. Mas dessa vez iria acabar, ou no mínimo diminuir a corrupção do governo com estas empresas, pelo simples motivo que os partidos políticos não iriam mais precisar se corromper para que suas mega campanhas fossem financiadas.

Lembrando que com o financiamento público iria ter um limite para cada partido fazer sua campanha. Não haveria esbanjamento e nem firulas.

Num pequeno resumo do que seria o fato, é isso que penso.

Abraço.

Comentário por Diemesleno Souza Carvalho




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