Domínio Público


Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? by cylene
12 agosto, 2006, 5:20 pm
Filed under: Cylene Souza, internacional, política, sociedade

A resposta para esta pergunta, hoje, da forma como está constituído, é apenas esta: serve para exercer um papel de “rainha da Inglaterra” das boas intenções das tais “Nações Unidas” – sem poder algum, mas fica bonitinho no discurso dos países-membros, que fingem que acreditam na eficácia do Conselho.

A Organização das Nações Unidas, no que diz respeito a “preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra”, primeiro item de sua carta de criação, tem tido desempenho pífio: não manda nada, não tem suas resoluções respeitadas e não goza de credibilidade nem mesmo entre seus membros permanentes.

Agora, leio na Reuters que, após um mês de iniciado o confronto entre Israel e o Hezbollah, o órgão conseguiu elaborar um plano de paz para o país. O Exército israelense, apesar disso, decidiu continuar a ofensiva e até ampliar os ataques, enquanto aguardar uma reunião interministerial prevista para acontecer no domingo.

Mesmo que os ministros israelenses aceitem o cessar-fogo, a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice e a chanceler britânica, Margaret Beckett não demonstram ter muita esperança no fim do conflito. Condoleezza disse que não se pode “descartar a ocorrência de escaramuças de tempos em tempos” e Margaret, mais explícita, já avisou: “não estamos aqui tentando resolver todos os problemas do Oriente Médio da noite para o dia.”

Ora, se até os dois países com cadeiras permanentes no Conselho e principais financiadores da ONU admitem que a resolução é apenas uma medida com duração de curto prazo, em bom português, cosmética, e duvidam de sua eficácia, fica difícil esperar que qualquer decisão do órgão seja acatada.

Também não é possível acreditar que o Conselho de Segurança consiga garantir que “a força armada não será usada a não ser no interesse comum” quando, apesar de todas as mudanças socioeconômicas ocorridas no mundo desde a fundação da ONU, em 1945, mantém os mesmos cinco países como membros-permanentes e com direito a veto.

O respaldo das resoluções e até mesmo a credibilidade da Organização ficarão ainda mais abalados se não houver medidas para acelerar e democratizar a tomada de decisões em conflitos. O mundo não pode esperar um mês para que seja apresentada a primeira proposta real de cessar-fogo e nem aceitar que o Conselho ignore as opiniões dos países em desenvolvimento.

Já há propostas para inclusão de membros da Ásia, América Latina, África e Leste Europeu no Conselho, projeto, que claro, encontra oposições por todos os lados: México e Argentina são contra a candidatura do Brasil, a China é contra a candidatura do Japão, o Paquistão contra a da Índia e os Estados Unidos, claro, contra a de todo o mundo.

É hora de deixar de lado essas picuinhas, as vaidades, e pensar um pouco a frente. Se a proposta é de ter membros de países desenvolvidos e em desenvolvimento de todos os continentes, há que se chegar a um consenso quanto às candidaturas, para que o projeto não seja abortado.

Num mundo em que as guerras declaradas entre as nações dão lugar a ataques terroristas e a formação de grupos paramilitares, deixar os mais fracos sem voz torna-se um erro fatal.

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1 Comentário so far
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[…] ONU, OTAN, OMC, e tantas outras siglas das quais uma ex-colega deste Domínio muito apropriadamente questionou a serventia -, sob a fachada de arenas democráticas e órgãos de governança global, dão poder de decisão […]

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