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O que é, gente, ter posição política? by vinacherobino
22 agosto, 2006, 2:39 pm
Filed under: eleições, política, sociedade, Vinícius Cherobino

Aproveitando a justa homenagem do título, o que significa realmente se dizer de esquerda, direita ou centro? Vamos aqui tentar responder sem cair em um dos chavões preferidos de cada um dos cantos (“o meu lado é lindo, o deles feio, chato e bobo”). Apesar de ser uma delícia o maniqueísmo gostoso desse conflito, o assunto não se desenvolve entre um gole e outro. Indo para outra esfera lindamente intelectual, a lenga lenga dos especialistas com suas frases brilhantes em que “estão nubladas as diferenças” e as propostas “são de esquerda na campanha e de direita no poder” também não vão muito além.

Fica o cenário, mas, no final, não se chega a nenhuma conclusão. A gente viu o “primeiro governo de esquerda que chegou ao poder”; muitos acreditaram na “chance única de se fazer justiça social”; tantos outros bradaram que “a esperança venceu o medo”. Para encurtar a conversa, já que ninguém agüenta mais, os derradeiros dias estão bem parecidos com os outros governos, numa “sucessão de escândalos jamais vista”. E fico eu com essa barriga vazia, essa questão: mas -afinal- o problema está à direita, à esquerda ou ao centro?

Uma idéia genial aparece e -pimba-, toca ouvir o povão (contingente de quase 7 mil pessoas). Qual não é a surpresa que nessa história de direita, esquerda e volver, a galera não tá lá muito preocupada? E tome especialista reclamando de “falta de informação geral”, de “um desconhecimento preocupante”, da “preferência por soluções simples”. Mas o que gerou a grita? Resumindo, o cenário se divide em: 47% que se diz de direita, 30% de esquerda e 23% de centro.

E qual o problema nisso? Bom, 87% daqueles canhotos adorariam ver rapazotes de 16 anos nas prisões entre outras preferências que deveriam ser exclusivas dos destros. Não o são, assim como a legalização da maconha, aborto, pena de morte ou Rota na Rua. No final, o lado importa pouco, diz o instituto, as opiniões são bem parecidas e esse perfil se fortificou nos anos noventa. Aliás, a juventude tem taxas de “conservadorismo” mais altas do que os velhinhos, veja só.

Estou ansioso que só para ver o resultado da festa da democracia. Vai lá, patrão, vai deixar seu voto.

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8 Comentários so far
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acho que no Brasil de hj não existe mais isso de ser de esquerda ou direita. É tudo um centrão só… mas não entendo e nem quero entender – achei tão melhor justificar o voto… tão mais prático… alienada? maybe. Or maybe just tired.

Comentário por Silvia

Eu sempre me perguntei isso, achei q ia achar a resposta por aqui, mas pelo que vejo pouco importa. Eu acho que na verdade, a maioria das pessoas (e eu me incluo entre estas) não é politizada o suficiente para opinar sobre nada e aí fica sempre essa briga entre esquerda e direitas, mas poucas vezes se vê contextos consolidados, idéias com argumento e pessoas que acreditam na ação de determinados grupos do poder.
No fim, é sempre a mesma coisa, nada importa…

Comentário por Fabi

Acho que a discução política fica muito mais difícil quando é descreditada, como você fez em seu post… Já tentaram enfiar isso na minha cabeça, que não existe esquerda, nem direita, nem nada, mas se vc pensar historicamente (vc pode chamar de conservadorismo, mas ninguém vive sem história) existe sim. E existe também ifluência, corrupção e um monte de outras coisas. Mas daqui há 10 ou 20 anos, quando esse governo entrar para história, como entrou o do FHC, vamos perceber o quanto foi diferente, basta vc perceber que nos governos anteriores a corrupção estava aí, mas ninguém falava nela, e agora, Bummmm….
Pelo menos eu prefiro acreditar nisso..

Comentário por Joana

Oi, Joana. O que eu estou discutindo é exatamente o contrário. Não questiono a existência da direita ou esquerda (não sou louco de brigar com a história), mas como isso -dentro da nossa realidade- se tornou algo diferente.

A minha idéia é discutir o que se tornou… Aí é que acho que não importa, que as pessoas não se importa com isso.

Em relação aos escândalos, concordo em parte contigo. Explodiu nesse mandato pq deixaram de “investir em publicidade” nos meios consagrados de comunicação. Fui claro suficiente?

abs

Comentário por vinacherobino

Concordo com a Fabi, quando ela diz que grande parte da população não é politizada o suficiente para discutir isso. assim como ela, também me incluo nessa massa, com pesar, confesso.
Gostaria muito de poder debater mais sobre o assunto, mas acho que política é algo que você só deve se meter a besta numa discussão se tiver conhecimento para tal.
Enfim, como não tenho, então não procuro tentar me definir como direita, esquerda, centro, extrema esquerda….
E acho mais, embora eu defenda algumas idéias dos canhotos, vejo que muita gente se auto define como esquerdista, por achar bonito, no entanto, temm princípios direitistas, como por exemplo, desejarem ver os rapzotes de 16 anos atrás das grades, como você bem citou no seu texto.

Comentário por Pri Bella

Joana,

O PT de 2002, coligado ao PL, já sinalizava que essa esquerda que chegava ao poder não era bem aquilo que entendíamos por esquerda. Acho que o texto não desacredita a discussão política, simplesmente reflete um sentimento – perigoso – de descrença que há entre os eleitores brasileiros. Reflete também uma certa confusão, que não é de se estranhar, porque as coligações que elegem os partidos e as coalizões que garantem a governabilidade não só geram os escândalos que presenciamos mas também flexibilizam e muito os programas de “esquerda” e “direita”. Quanto aos registros a posteriori sobre o governo Lula, não sei o que vai entrar para os anais, mas como eleitora do 13 desde o meu primeiro voto, posso te assegurar que lembrarei desses oito anos (salvo laguma reviravolta nos próximos quatro) como anos, do ponto de vista ideológico e da agenda, decepcionantemente tucanos demais para mim.

Beijos,
Daniela Moreira

Comentário por dominiopublico

[…] Ok, eu faltei na aula sobre títulos bombásticos. Isso não é exatamente uma novidade. Mas, calma, me dê um tanto de crédito, não deixa de urrar verdade isso aí. Quer ver? Presta atenção na 25 de março (rua da capital paulista conhecida nacionalmente por suas mercadorias debaixo preço) nesse último feriado e veja: coisa como 600 mil pessoas entupiram a(s) rua(s) para se antecipar (veja só, começo de novembro!) ao Natal. Pelo visto, não deu muito certo.  […]

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