Domínio Público


Sem saída by Gerson Freitas Jr.
5 setembro, 2006, 10:09 am
Filed under: economia, Gerson Freitas Jr., Uncategorized

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tomou um comprimido de juízo ao suspender a greve e orientar seus filiados a voltarem para a linha de produção da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Ou, simplesmente, pararam para refletir sobre a notícia de que 3,5 mil trabalhadores já aderiram ao programa de demissão voluntária promovido pela Volks na Alemanha, berço da multinacional.
Destaca a Folha Online que, ao todo, a reestruturação naquele país pode envolver até 20 mil funcionários nos próximos anos. A mesma história se repete com outros atores em diferentes lugares. A Ford, símbolo maior da indústria americana e da “era de ouro” da economia mundial, deve cortar de 25 mil a 30 mil funcionários e fechar 14 fábricas até 2012 nos Estados Unidos. A General Motors, maior fabricante de automóveis do mundo, também deve eliminar 30 mil vagas e fechar 12 plantas na América do Norte. Parece, portanto, que o problema vai muito além das fronteiras de São Bernardo.
As razões apresentadas pela indústria são várias. O primeiro ponto é conjuntural. Sua capacidade total de produção é maior do que a do mercado mundial em absorver seus veículos, o que demanda “ajustes” sempre dificultados pelos acordos feitos com os sindicatos de metalúrgicos pelo mundo. Mais, o avanço das montadoras asiáticas impõe um novo patamar de competitividade, em que o barateamento da mão-de-obra se torna obrigatório.
Logo, a tendência é a redução dos investimentos e até o fechamento de fábricas, em países menos competitivos, e a migração para regiões em que os custos são mais baixos, principalmente o Leste europeu e a China. Nada de novo. Como gafanhotos, o capital globalizado tende a mudar de lugar para lugar com enorme facilidade em busca de maior “eficiência”.
De volta ao ABC, a Volkswagen quer cortar 3,5 mil funcionários e uma série de benefícios nos próximos anos. Se não atingir seu objetivo, ameaça, a fábrica pode fechar as portas. O sindicato classifica a “proposta” como “inaceitável” e promete brigar, como nos tempos áureos dos anos 80, mas deve ficar apenas no discurso. Na melhor das hipóteses, a categoria vai conseguir melhorar a oferta do programa de demissões e retardar a sentença. Caso contrário, pode colocar tudo a perder e ver o restante dos empregos migrar para outro país.
E é assim, de joelhos, que o sindicalismo entra no século 21 – uma realidade muito, mas muito diferente daquela que revelou o líder Luiz Inácio Lula da Silva e, mais tarde, o alçou à presidência. Aliás, no país do presidente operário, os trabalhadores têm pouco a comemorar.  

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