Domínio Público


Quando Lula e Maluf se encontram by Gerson Freitas Jr.
21 setembro, 2006, 2:23 pm
Filed under: eleições, Gerson Freitas Jr., política, sociedade

Talvez tenha havido um tempo (suponho, sou muito novo para saber) em que os apoiadores de Paulo Maluf tenham defendido com unhas e dentes sua honra e honestidade. Depois, abandonada a difícil tarefa, teriam assumido seus defeitos e qualidades e os condensado no slogan que já havia consagrado Adhemar de Barros nos anos 30: o “rouba, mas faz”.  

O lema servia muito bem a Paulo Maluf. Assim como Barros, o ex-governador e prefeito de São Paulo se caracterizou por ser um tocador de grandes obras (muitas sob suspeita de superfaturamento) e mentor de projetos sociais com forte aperto de marketing – além de também ser tratado por “doutor”, como o era Adhemar.

Paulo Maluf tinha um adversário, Mário Covas, e um inimigo, o Partido dos Trabalhadores (PT). Ambos, mas em especial o último, condenavam a velha política herdada pelo “doutor Paulo”, populista, conservadora e corrupta. O PT pregava uma nova política, democrática, transformadora e limpa.

O maior representante da esquerda no Brasil fazia crer ser possível governar sem sujar as mãos. Parecia ser tão diferente dos demais que quaisquer acusações contra um de seus integrantes só poderiam ser obra de uma tal “orquestração da direita”. Os quase quatro anos que sucederam a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2003 foram mais do que suficientes para que esse discurso ruísse.

Em vez de defender sua honra ilibada, os petistas assumem ter descido alguns degraus “necessários” na escada da política e, agora, praticar o que “todo mundo sempre praticou”. Logo, não é justo que justamente eles, por serem de esquerda, paguem o pato.

A população, pelo menos é o que indicam as pesquisas, concorda com a linha de defesa e parece dar carta branca para que Lula siga mais quatro anos à frente da presidência. O voto de confiança é baseado na percepção que, embora corrupto, o atual governo fez algo de bom para as pessoas, mais do que o governo passado, também suspeitíssimo, teria feito.

Assim, guardadas as devidas diferenças, Lula e o PT nunca estiveram tão próximos de Paulo Maluf, Adhemar de Barros e outros tantos que marcaram a velha política brasileira. Pelo menos, é o se ouve nas ruas: “ele rouba, mas faz”.
 
***

O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu Governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública. Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recursos que são seus e que tanto poderiam ajudar na sua dura luta pela sobrevivência. Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar”. Luiz Inácio Lula da Silva, 1º de janeiro de 2003, em seu discurso de posse.

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