Domínio Público


O veredicto de Lula by Gerson Freitas Jr.
26 setembro, 2006, 2:33 pm
Filed under: Gerson Freitas Jr., Uncategorized

Em um de seus lapsos messiânicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à bíblia para explicar a confusão em que a suposta compra de um dossiê contra tucanos por membros do PT o colocou. “Numa mesa com 12, um traiu”, disse Lula em um comício, referindo-se aos “companheiros” pegos com a boca na botija. O presidente, mais uma vez, se diz enganado por gente próxima, da maior confiança e a quem atribuiu grandes responsabilidades.

A metáfora, embora ofensiva aos cristãos, é emblemática. Opõe, de um lado, Cristo, o salvador da humanidade e a personificação do bem, a Judas, o traidor que trocou a identidade do filho de Deus por 30 moedas de prata. Na versão petista do evangelho, Lula é o Cristo bom, preocupado com os pobres, com os valores universais e a reputação ilibada. Judas, coitado, é José Dirceu, Ricardo Berzoini, Luis Gushiken, Humberto Costa, José Genoíno, Antônio Palocci, Freud Godoy…

Até que se prove o contrário, Lula, tal como Jesus, pode mesmo ter sido traído por um daqueles que o cercavam. Faz-se uma ressalva mais ou menos importante para a história das duas figuras traídas. Jesus sabia. Lula não. Pelo menos, diz que não. O que importa é que, em ambos os casos, os traidores colocaram os traídos diante do julgamento público.

Lula vive sua via cruxis, que vai durar até o próximo dia 1º. Ele pode sobreviver, mas estará esfacelado. Seu partido junta os cacos dos erros que cometeu. O núcleo que formou para governar o país foi derrubado. Seus apoiadores históricos se afastaram e o que tem de mais precioso, seu mandato, pode ser cassado pela justiça. Justa ou injustamente, Lula já está derrotado, ainda que saia vencedor do pleito. O veredicto das urnas é, aliás, o que lhe resta. O povo, a maioria pobre, vai decidir se mantém “um dos seus” no poder.

Confiar no juízo do povo é sempre um risco, ainda que as pesquisas indiquem o contrário no caso de Lula. Para retomar a comparação, o judeu Jesus foi julgado, primeiro, por Roma, e depois, pelos seus, os mesmos que pouco antes o haviam recebido como rei em Jerusalém. O Evangelho de Mateus conta que, diante das acusações que caíam sobre Jesus, o governador romano, Pilatos, consternado, perguntou ao povo judeu: “Que farei então de Jesus, que se chama Cristo?” Disseram todos: “Seja crucificado”.

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1 Comentário so far
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Bravo, meu querido! Muito, muito bom o texto.
E, contrariando a todos, começo a apostar que, assim como o povo judeu, os brasileiros também podem condenar um dos seus nas urnas…

Comentário por Tati Freitas




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