Domínio Público


Sempre mais do mesmo by Daniela Moreira
29 setembro, 2006, 11:29 am
Filed under: Cylene Souza, eleições, Uncategorized

Ele não foi. Na última hora, a assessoria alegou o blablabla de sempre: que ele ia ser atacado, desrespeitado, etc.
E o último debate ficou com cara de último horário eleitoral gratuito, morno, respeitoso, sem grandes indagações e com muitas críticas à Lula.
As perguntas não importavam muito. Elas eram veículos para que o questionador falasse de suas propostas e para que o candidato que respondesse também pudesse repetir tudo que já vinha dizendo desde janeiro.
Lula não estava lá, mas os candidatos ainda assim podiam questioná-lo. Ficava uma situação meio maluca, de perguntas a uma cadeira vazia, mas serviu para que Alckmin, Cristóvam e Heloísa pudessem bater bastante, ainda de que forma elegante.
Na primeira pergunta, Cristóvam Buarque já supôs uma cassação, caso as denúncias sejam comprovadas, e perguntou se o voto era no atual presidente ou em José Alencar. Para o senador, não comparecer ao debate mostra mais uma forma de corrupção, já que “roubar a chance da população escolher seu candidato, é uma corrupção contra a democracia.”
Alckmin disse que Lula não foi porque não podia explicar as denúncias e nem os problemas na saúde, educação, saneamento, etc, etc, etc.
Heloísa acreditou mesmo que botava medo no presidente e preferiu acreditar que ele não foi por medo de enfrentá-la. Ela ainda não conseguiu superar o rompimento com o PT e não pára de falar da expulsão e da “arrogância do sapo barbudo em seu trono de corrupção”.
De resto, um pouco mais do mesmo. Cristóvam abre um sorrisinho e a gente já sabe o que vem: “a doce revolução pela educação”. É impressionante! Não importa o tema, ele sempre consegue chegar nesse assunto. O mantra é repetido a todo instante: Segurança? Educação! Saúde? Educação! Corrupção?  Educação!
O senador acha que é a solução para todos os problemas do mundo, porque pessoas bem-educadas são automaticamente honestas…É uma visão bem Poliana, já que os maiores corruptos e fraudadores têm alto nível cultural. São juízes, diretores de grandes companhias, senadores…Uma coisa não exclui a outra.
Alckmin, o da embalagem de grande administrador, sempre repete que a solução é o ajuste fiscal, fazer o país crescer, fazer um governo que tenha princípios…E claro, não deixa de pegar uma carona na imagem de Covas, seu grande mestre.
Heloísa, a boxeadora, está lá para bater. Seu sorriso, a tentativa de ser ponderada e o charminho com o Bonner não enganam. Sobra porrada para o FMI, para o Alckmin, para o FHC, para o Lula…Se for eleita, também vai governar na base do muque. Vai cortar os juros por decreto, varrer os políticos sujos do país e passar quatro anos combatendo a tal “política neoliberal” dos governos anteriores.
A única novidade nesse debate foi o apelo desesperado para que haja o segundo turno. Cristóvam clama para que os eleitores dêem mais tempo ao processo democrático. Já reconhecendo a derrota, diz que está feliz por enfiar o tema Educação na cabeça das pessoas e diz que a população deve votar em quem vai permitir que haja segundo turno.
Heloísa Helena também começa a entregar os pontos. Prevendo o nocaute, já faz o discurso para sair por cima. Depois dos agradecimentos com a voz embargada, diz que se for presidente irá “acolher os brasileiros como uma mãe acalenta seus filhos. Mas se estiver na sala de aula, continuo militante da esquerda.”
Alckmin, já mais confortável com o apoio implícito dos adversários, finalmente mostra algum vigor: “Como não veio, Lula mandou um recado para você, telespectador – pausa para uma observação: vocês repararam como ele melhorou na TV? Está quase um showman! Será que teve aulas com o Silvio Santos? Olhar direto para a câmera, como se estivesse olhando e falando com você – que não se importa com a sua opinião e não precisa prestar contas. Mande um recado para ele nas urnas e mude de presidente!”
Enfim, nada que tenha me feito mudar de idéia. Neste ano, vou para o colégio em que voto sem o mesmo tesão da minha primeira eleição para presidente. Vou desiludida e sentindo que os partidos não acreditam que eu mereço opções melhores.
Mas não dá para fugir da obrigação. Vamos lá, ânimo! Aperte as teclas, escolha quem vai comandar o picadeiro nos próximos quatro anos e abrace uma religião, porque vamos precisar de muita reza para que este país não perca o rumo de vez.

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