Domínio Público


Muy Amigo by Eduardo Simões
4 outubro, 2006, 3:29 pm
Filed under: Eduardo Simões, eleições, política

Garotinho e Garotinha anunciam apoio a Alckmin na corrida presidencial. Resultado: quem tem voto no Rio de Janeiro o abandona.

 

O casal Anthony e Rosinha Garotinho vieram para São Paulo às pressas na segunda-feira. Desembarcaram na capital paulista para dar seu apoio à candidatura de Geraldo Alckmin no segundo turno da corrida presidencial.

Feliz com o apoio do casal que governa o Rio, Estado em que ficou atrás de Lula no primeiro turno, o candidato tucano recebe o apoio de braços abertos. O presidente da colcha de retalhos PMDB, Michel Temer, diz que o apoio do casal é “um primeiro gesto” da dividida legenda para o ex-governador paulista.

Tudo lindo, tudo maravilhoso, na teoria. Digo na teoria porque, como resultado do apoio dos Garotinhos, Alckmin perdeu o suporte de quem realmente teve voto no Rio de Janeiro nas últimas eleições.

Como o candidato dos Garotinho na eleição para governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), se antecipou ao suposto padrinho e anunciou apoio à candidatura à reeleição do presidente Lula, ou seja, um candidato que tem voto em terras fluminenses foi para o lado oposto ao de Alckmin.

Irritados com o apoio de Garotinho, o prefeito do Rio, César Maia, e a candidata apoiada por ele ao governo do Estado, Denise Frossard (PPS), que está no segundo turno, retiraram apoio a Alckmin. Perdeu mais o apoio de mais dois que têm voto no Rio.

Que belo esse primeiro gesto dos peemedebistas a Alckmin. Um apoio que dá com uma mão e faz com que venham lhe tirar com outras três. Se o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto gesto do PMDB para o tucano for desse mesmo nível, os petistas podem começar a preparar a festa de posse no dia 1º de janeiro.

Por outro lado, que enorme trapalhada essa da coordenação política da campanha de Alckmin. Foram incapazes de prever a reação de aliados de primeira hora no Rio às imagens de Garotinho ao lado de Alckmin em rede nacional, sendo que o Brasil inteiro sabe que Maia e Frossard são, antes de tudo, anti-Garotinho.

Muito mais astuta foi Heloísa Helena. No primeiro turno, ao ser informada de que Garotinho lhe declarara-la apoio, tratou de distanciar sua imagem da do polêmico ex-governador fluminense, que já foi do PT, PDT, PMDB…

Quem sabe, na verdade, a ruína da candidatura Alckmin esteja sendo planejada em algum porão. Já imaginaram se, ainda nesta semana, Newton Cardoso desembarca em São Paulo para dizer a Alckmin que pensou melhor e que vai apoiá-lo no segundo turno. Os dois se abraçam e, quase simultaneamente, Aécio Neves anuncia a retirada de seu apoio e a neutralidade na disputa.

Ainda atônitos e à busca de apoios, Paulo Maluf bate à porta do escritório de Alckmin com um batalhão de fotógrafos atrás de si e o abraça fraternalmente. José Serra, primeiro governador a ser eleito no primeiro turno em São Paulo, reage com um soco na mesa e anuncia que o presidenciável tucano está agora à sua própria sorte no maior colégio eleitoral do país.

Enquanto isso, no Palácio da Alvorada, Dona Marisa Letícia começa a escolher qual será seu modelito no dia 1º de janeiro. Em terras paulistas, o estilista Rogério Figueiredo, talvez invejoso com o modelito que seu colega Clodovil possa criar para sua posse no Congresso, chora a grande chance de sua carreira: vestir a primeira-dama do Brasil.

É. Tem apoio que é melhor a gente não receber.

 

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