Domínio Público


Jornalismo e salsicha by vinacherobino

Passo hoje, em média, umas 7 horas por dia na frente do computador. E na internet, claro. Como eu, existem uns tantos mais no Brasil e outros tanto no mundo. Dizer que isso muda tudo não é nenhuma novidade. Mas tem uma área, pela qual tenho um carinho mortal, que está sendo bastante atingida por isso. Sem mais delongas: o jornalismo, coitado, morreu. Quem matou o jornalismo?

A internet.

Atônito, o sagaz leitor português balbucia: “Quando foi isso?”. Está sendo, patrício, está sendo. “Onde?” Por essas bandas, o negócio começou a explodir por volta de 2000 e não parou mais. “Mas como?” Bem, como toda revolução silenciosa, foi aos poucos e silenciosa, claro. O lacrimejante português, quase sem forças, no chão, urra como quem cospe pedras: “Por quê, ó raios de meu Deus, por quê? Por quê?”.

Bom, é difícil determinar o porquê. Começa assim: estão fazendo lá fora, parece legal. Um empreendedor tupiniquim vai e faz; o outro corre atrás e já vem sendo perseguido por mais um. O último que fez biquinho e disse que não, não e não; acaba cedendo. Era preciso estar na internet, era MANDATÓRIO. Como a indústria de mídia aqui não é lá tão grande assim, não demorou muito para que se tornasse um fato comum: todo mundo online. E aí? Aí que a forma consagrada de se ganhar dinheiro com o jornalismo foi ruindo: ninguém está mais querendo pagar anúncio.

Levantando-se, o português faz cara de quem foi sacaneado e diz: “mas tudo isso se migra para a internet, raios! E o cenário final é de equilíbrio”. É, patrício, migrar migra. Mas já prestou atenção nos preços? De uma página para um banner, essa variação cai em dezenas de milhares de reais ou dólares. E diversos grandes jornais do mundo estão tentando entender o que fazer para lucrar com o elefante branco da internet. Resumindo, está pingando muito menos para os donos do Brasil.

E, para a empresa, isso é triste, mas uma ótima desculpa! Já vou salientando que eu acredito que as empresas de mídia de todos os tamanhos cortam os salários e os próprios jornalistas apenas por problemas financeiros, só por isso. Acredito, também, que o acúmulo de horas e pressão aos que ficam é uma triste conseqüência desse cenário hostil. É tudo culpa da falta de dinheiro!

Na outra ponta, os jornalistas não estão se sentido nada bem no meio disso. Como bem disse o Júlio, do Digestivo, está rolando uma briguinha de foice entre os senhores das notícias e os blogueiros. Enquanto isso, nas entranhas do jornalismo de todo dia, taca cozinhar as notícias (pegar os dados na nota e transformar em algo que é diferentemente igual) entre outras práticas tão antigas quanto questionáveis. Como na máxima do boteco, só come a salsicha quem não viu como ela é feita. E assim vai se levando, fingindo que está tudo bem.

Não está. O jornalismo está morto. Tenham algum respeito e saiam desse MSN.

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2 Comentários so far
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Pô Fazeda, que perseguição é essa com meus primos cara? Achei que você ia voltar mais animado do tour europeu, mas mal chegou já cancelou cerveja (!) e decretou, de forma apocaliíptica, a morte do jornalismo. Que é que foi? Passou muito tempo com os franceses?
abs

Comentário por Eduardo "Lusa" Simões

[…] A segunda constatação é que esta “Mãe Diná” virtual é pra lá de charlatã. Você digita no mecanismo de busca “alhos” e ele te devolve “bugalhos”. Quer um exemplo? Só nesta semana o post “Jornalismo e Salsicha” teve seu acesso turbinado por umas cinco pessoas querendo descobrir “como é feita a salsicha” – em vão, este continua sendo um dos maiores mistérios insolúveis da humanidade.  […]

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