Domínio Público


Nós não vamos pagar nada by Gerson Freitas Jr.

Dizem que as notícias mais importantes são as que ocupam menos linhas nas páginas dos jornais.  Alguns bons exemplos podem confirmar a tese, mas vou me ater a um só. Está lá, no último 3 de outubro, perdido na editoria de Ciência da Folha de S. Paulo. Diz o título: Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia.

Contam as poucas linhas da nota que um sujeito chamado David Miliband,  secretário de Meio Ambiente britânico, divulgara na semana anterior, no México, um plano para “transformar a floresta amazônica em uma grande área privada”, administrada por um consórcio internacional, a fim de protegê-la. E mais. Que o tal do Miliband não teria dito da sua própria cabeça, mas que a proposta tinha o aval do todo poderoso primeiro-ministro Tony Blair. Para terminar, o secretário teria ponderado que a idéia estava em estágio inicial e que seria preciso “discutir as questões de soberania da região com o Brasil”. (Ah bom…)

Talvez os jornais brasileiros não tenham dado maior crédito à notícia que, afinal, alimenta medos quase folclóricos de uma turma mais antiga, preocupada com essa coisa pra lá de piegas de soberania nacional. Notícia, aliás, que bem poderia ser colocada nas correntes de e-mails com ilustrações de livros de geografia americanos que mostram a Amazônia como patrimônio da humanidade.

Mas a idéia existe e está sendo discutida, não por ambientalistas ou milionários excêntricos, mas por políticos das grandes potências econômicas. Ontem era lenda. Hoje são rumores. Amanhã, somos avisados.

Por isso, surpreende que, em ano de eleições presidenciais, não se discutam políticas públicas de preservação, segurança e exploração sustentável de um dos maiores patrimônios brasileiros. Afinal, o Brasil sabe quanto vale a Amazônia? (O mundo sabe!). Mas, abandonado à sua sorte, o “jardim do quintal” segue aos poucos sendo queimado por madeireiros, pecuaristas e sojicultores e emitindo ao mundo sinal claro de que o Estado brasileiro, falido, não pode ser seu mantenedor.

Vai ver, o Brasil já se conformou que não resta saída que não seja a de Raul. A solução, caro leitor, é alugar o Brasil.

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3 Comentários so far
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Pô Gerson, o Lula falou isso no debate e você comprou a idéia. Só se um dia o Bush cismar que o Brasil tem armas de destruição em massa e resolver invadir terras tupiniquins.
Que moral a Inglaterra tem para falar de preservação de florestas? Aliás, que moral a Europa inteira tem para falar de preservação de florestas? O que eles fizeram com as deles?
Se é assim, vamos “privatizar” a Torre de Pisa, o Big Bang, o Grand Canyon, as Cataratas do Niagara, etc, etc, etc…
abs

Comentário por Lusa

Não comprei, não, Lusa. Mas é inegável que aspirações existem sobre a Floresta. Lógico que ninguém vai invadir o Brasil com tanques de guerra e aviões, mas a compra de grandes áreas – e a exploração privada de suas riquezas – é, sim, uma ameaça social, econômica e, por que não dizer, política.

Comentário por Gerson Freitas Jr.

[…] Extravagâncias e alarmismos à parte, sim, os ativistas realizam um trabalho muito pouco reconhecido e de extrema importância – vide a “Edição Verde” da Época desta semana – que, diga-se de passagem, não estaria aí não fosse a  empreitada de Gore – que traz exemplos como a mobilização do Greenpeace para conter o avanço do cultivo de soja na Amazônia. […]

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