Domínio Público


Lula, Maggi e os apoios eleitorais by Gerson Freitas Jr.
17 outubro, 2006, 2:44 pm
Filed under: vôlei

Segundo turno de eleição presidencial é assim: os dois candidatos reúnem seus assessores e abrem sobre a mesa um mapa do Brasil. De Norte a Sul, Estado por Estado, vão à caça dos tão valorizados apoios regionais – lideranças, partidos, candidatos e governadores eleitos, de todas as tendências, que possam agregar votos com sua adesão.

É o momento em que se esquecem divergências antigas e velhas amizades, inimigos de antes posam juntos e antigos aliados caminham separados. É quando se tem a impressão (só a impressão) de que no vale-tudo da política brasileira os arranjos se dão conforme a conveniência do momento. Ainda assim, uma notícia na semana passada conseguiu surpreender até os mais calejados: a adesão do Governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, à candidatura de Lula. Às razões da estranheza:

1) O empresário Maggi, proprietário de algumas dezenas de milhares de hectares pelo Mato Grosso, não tem exatamente o que se pode chamar de identidade histórica com Lula e o PT, mais afeitos à turma do MST, que mira exatamente gente como Maggi.

2) Um dos maiores produtores de soja do mundo, o governador mato-grossense é, antes de tudo, um representante do agronegócio, dos exportadores de grãos que vêm amargando três anos de prejuízos no Estado por causa da política cambial de Lula – que Geraldo Alckmin promete incisivamente alterar a gosto dos exportadores – e dos altos custos logísticos – resultado da absoluta escassez de investimentos federais em estradas, ferrovias e portos.

3) Por fim, o partido de que Blairo é vice-presidente, o PPS, formalizou apoio ao tucano de São Paulo. Apoio, aliás, incentivado, adivinhe sábio leitor por quem.

Mas, acredite, Maggi entregou a carta de desfiliação ao partido de Roberto Freire, pelo qual acabou de ser reeleito, e virou o mais novo “companheiro” de Lula nas bandas mato-grossenses.

A explicação, senhoras e senhores? O acerto para o repasse de R$ 3 bilhões (R$ 1 bi só para o Mato Grosso) para financiar as dívidas dos produtores rurais quebrados – não apenas por causa do dólar, da logística ou de uma conjuntura externa desfavorável, mas também por conta de graves problemas de gestão nas fazendas.  Os dois lados, obviamente, negam que tenha havido cooptação ou compra de apoio eleitoral. Estranho seria se confirmassem.

O episódio é a síntese de como se formam as bases de apoio aos governos no Brasil e, claramente, no governo Lula. É a política do loteamento de cargos públicos entre partidos aliados, repasse de emendas parlamentares e, mais recentemente, da distribuição de dinheiro vivo em troca de voto. Muda-se a forma, mas não a prática histórica, que Lula e o PT abraçaram sem vacilar.
 
Respondendo ao coordenador-geral da campanha de Lula e presidente em exercício do PT, Marco Aurélio Garcia, não, o empréstimo aos produtores não é uma operação ilegal. “Temos de parar de rebaixar a política brasileira e ter respeito aos governadores”, protestou. É verdade, Garcia, bem observado!

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