Domínio Público


O Papai Noel existe by vinacherobino
6 novembro, 2006, 3:55 pm
Filed under: comércio, sociedade, Vinícius Cherobino

Ok, eu faltei na aula sobre títulos bombásticos. Isso não é exatamente uma novidade. Mas, calma, me dê um tanto de crédito, não deixa de urrar verdade isso aí. Quer ver? Presta atenção na 25 de março (rua da capital paulista conhecida nacionalmente por suas mercadorias de-baixo preço) nesse último feriado e veja: coisa como 600 mil pessoas entupiram a(s) rua(s) para se antecipar (veja só, começo de novembro!) ao Natal. Pelo visto, não deu muito certo.

Mas o que o bom velhinho tem a ver com isso? Nada demais, só o espírito do momento. Aliás, bom velhinho por si só já é um apelido ótimo. “Faz favor de chutar aquele bom velhinho que resolveu dormir debaixo da marquise da minha loja”…

Voltando, como surge o bom velhinho? Tinha uma lenda, um lance de São Nicolau, mas ainda não tava redondo. Em uma meia não cabe muita coisa, precisa ter lareira, veja só, lareira. Como ficam os pobres brasileiros sem lareira? Vão sem papai Noel?

É, não dava… Vamos fazer mais simples, que tal um gordinho fofinho –branco, evidentemente branco, até na barba. E, caralho, que genial, vamos tocar a máxima da pintura (e da fotografia): não sabe o que fazer, faça Grande e Vermelho. E não é que deu certo? Deu, mas é uma história complexa.

Mas antes de dar certo, em meados da década de 40, acho que em 45, Rubem Braga perguntou: “terá nascido Cristo para todo ano dar essa enxurrada de dinheiro aos senhores comerciantes, que já em novembro começam a espreitar o pequenino berço na estrebaria com um olhar cúpido?”. Tava puto, claro, com os preços e a brincadeira toda com o seu minguado salário de jornalista. Mas, de qualquer jeito, alguém teria a moral de cunhar hoje uma pergunta assim?

Fora dos púlpitos, acho difícil. Não por que deixou de ser menos obsceno, mas por que se tornou consolidado (palavra otimizada para o pessoal da TI). O olhar do velho cronista não se agüentava diante de tanta putaria capitalista; hoje, ninguém teria coragem de falar contra os capitalistas. São eles que salvam a lavoura, que dão empregos, que fazem o país andar. E de pensar que já foi preciso adequar a ética para fazer as pessoas trabalharem para ganhar mais do que precisam para sobreviver?

Mas isso não tem grandes conseqüências. No final, são todos pais do Brasil se matando para ganhar o leitinho do seus 175 milhões de brasileirinhos.

Só para não deixar passar, o 12 de junho, o famoso e inapelável dia dos namorados, foi tranqüilamente inventado. Sem pudores, dramas ou qualquer porém. Junho é um mês fraco, tasca-se o dia dos namorados. Agora, vá o senhor ou a senhora (tenho uma tendência maior a achar que o senhor passará por piores lençóis) explicar o grande processo de manipulação ao qual fomos vítimas… Pode dar certo, mas é melhor levar, sei lá, um bombom.

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4 Comentários so far
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e um bombom de preferencia de uns 35 reais se nao vai dormir no sofá por uns tempos.
abs

Comentário por Lusa

Ave, que mal juízo que vocês fazem da mulherada… Eu não passo um bombom sob nenhuma circunstância, mas não é pra tanto (olha a carapuça….hehehe). Bjos.

Comentário por danielamoreira

Humm, interessante, Vini. E esta carta aqui, vcs conhecem?? http://www.marcinha.co.uk/archives/2002/12/conto_de_natal.html
bjs

Comentário por Silvia

Bombom???!!!!

Comentário por Flavius




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