Domínio Público


Ufa! by Eduardo Simões
29 novembro, 2006, 1:50 pm
Filed under: Campeonato Brasileiro, Eduardo Simões, esportes, futebol, futebol brasileiro

Não é fácil ser torcedor da Portuguesa. Nunca foi, mas ultimamente tem piorado bastante. As chacotas não raramente viram piada de português que, também não raramente, perdem o senso de humor e se transformam em desrespeito a toda uma colônia. Acho que por isso é tão especial ser fanático pelo time do Canindé. Certamente a torcida lusa não é a mais numerosa, mas há de se convir que os poucos que acompanham o time com regularidade são, como diz meu colega de blog Gerson, provas de que ainda existe amor no futebol.

Seria fácil desistir. Seria fácil o clube acabar por absoluta e total ausência de torcedores nas arquibancadas. As sucessivas diretorias que passaram pelo clube na última década fizeram um esforço hercúleo para que isso acontecesse.

Fracassaram. Transformaram um time em ascensão em piada, mas fracassaram. Levaram o clube à falência, com jogadores bastante abaixo do mínimo exigido para empunhar a camisa rubro-verde, mas fracassaram. Alguns, poucos mas fiéis, torcedores seguem comparecendo, acompanhando as partidas, seja no estádio ou fora dele. Alguns poucos, mas fanáticos, ainda se importam e não se escondem, apesar dos vexames recentes e das inevitáveis gozações.

Seria fácil desistir. O que não é fácil é olhar para o Canindé e ver o estado em que anos de descaso o deixaram. É olhar para o parque aquático do clube, que já fez dele um dos campeões de associados de São Paulo, e ver que nem um suicida ousaria nadar naquelas águas. É olhar para o gramado onde já pisaram Dener, Zé Roberto, Zé Maria e Evair, só para ficar nos mais recentes, e ver alguns jogadores que, não por culpa deles, mas de quem os contratou, não estão à altura do que representa a Portuguesa.

Para muitos, que certamente não se preocupam em conhecer a história do futebol, a Portuguesa não representa muito. Assim como nomes como Djalma Santos, maior lateral-direito da história do futebol mundial, Zé Maria (o da Copa de 1970) e Jair da Costa, todos os três presentes nos três primeiros títulos mundiais do Brasil na mesma época em que defendiam as cores rubro-verdes. Isso sem falar em Julinho Botelho, segundo maior ponta-direita da história do futebol mundial e rei de Firenze, Brandãozinho, o Príncipe Ivair, o genial Enéas, o tricampeão mundial Félix, revelado nas categorias de base da Lusa, e tantos outros que injustamente deixo de citar para não fazer deste o maior post da curta história deste Domínio.

Não sabem ainda do esquadrão que a Portuguesa tinha na década de 1950, bicampeão do Rio-São Paulo, Campeonato Brasileiro da época, e base das seleções brasileiras campeã do Pan-Americano de 1952 e que disputou a Copa do Mundo de 1954. Desconhecem que a Lusa dos anos 1960 e 1970 rivalizava em campo com o Santos de Pelé e o Palmeiras da Academia (Ademir da Guia e cia.)

Mas quem vive de passado é museu, dirão os críticos. Ao que eu respondo: um povo sem passado não tem futuro.

E a direção da Lusa, ao longo dos anos, tem esquecido esse passado, tem apequenado o time e o clube. Por isso o passado recente da rubro-verde tem sido tão ruim. Por isso a vibração com um resultado aparentemente medíocre: a permanência na segunda divisão do Campeonato Brasileiro no último minuto da última rodada (com um pênalti legítimo, aliás, ao contrário dos muitos apitados contra a Portuguesa ao longo da história).

Permanência conquistada de forma épica, brigadora, digna da paródia com os Lusíadas e digna da Portuguesa, mas, ao mesmo tempo, muito pouco para esse clube e suas tradições.

Acende-se uma esperança, pelo menos. Por isso o grito de alívio, o palavrão em forma de desabafo, o desassossego em frente ao televisor, o sofrimento, e a felicidade no final. Ainda não estamos no fundo do poço, o que não deveria ser motivo de comemoração, mas quem não comemoraria a notícia de que um ente querido escapou do coma, embora ainda permaneça na UTI?

Que venha 2007 e que a paciente Portuguesa de Desportos receba alta (para a primeira divisão do Paulista e do Brasileiro). È difícil? De fato, mas quem torce pela Lusa está acostumado com todo o tipo de obstáculo e, afinal de contas, sonhar não paga imposto.

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4 Comentários so far
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Lusinha querido….

Como já disse no post do Gerson sobre o amor pelo Futebol, admiro essa sua persistência. Quem não sabe, esse portuga ficava no carro, na época da faculdade, ouvindo os clássicos da Portuguesa na segundona.

Agora, a falta de torcedores é preocupante. Concordo que a permanência desse nobres donos de padarias no Canindé é admirável, mas além de uma campanha para recuperar o time, é necessário de novos (no sentido literal da palavra) torcedores adquiram esse amor, pois senão………

Abs e até domingo!

Comentário por Diego Bonel

Torço pro SPFC, mas gosto de ir ao Canindé assistir aos jogos da Portuguesa. Fiquei feliz com a não queda, também.

Parabéns pelo blogue.

Abraços,

Comentário por Sidarta

nó mais que fulero… gastou mó tenmpão pra digitar essa bosta???? aff

Comentário por io

caralho, muito ruim essa merda, se afoga, tira esse lixo do ar….

Comentário por zico




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