Domínio Público


Feliz 1994! by Gerson Freitas Jr.
5 dezembro, 2006, 2:37 am
Filed under: Gerson Freitas Jr., política, sociedade

“O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do Sol“, dizia o sábio Salomão, que reinou sobre os judeus cerca de 900 anos antes de Cristo e, reza a tradição judaico-cristã, foi o homem mais sábio de toda a Terra em seu tempo.

Salomão se via impotente diante da realidade. Parecia entediado. O mundo era uma grande chatice, uma repetição de fatos enfadonhos com vontade própria, que se sobrepunham à natureza humana de tentar controlar a ordem dos acontecimentos. Inútil.

O Sol continuava nascendo pela manhã, se pondo à tarde e correndo de volta para o lugar donde nascia.  O que era torto não se podia endireitar; o que faltava, não se podia enumerar. Os rios continuavam caminhando para o mar, e para lá continuariam a correr para todo o sempre.

Não é das sensações mais agradáveis, como provei outro dia mesmo. Por força de minhas obrigações acadêmicas (vaidade de vaidades!), passei algumas horas em uma biblioteca, cercado de pilhas de publicações antigas que cheiravam a mofo.

Edições da revista Veja de 1994, 52 edições, uma a uma. Faz 12 anos, metade da minha até agora curta participação nesse mundo. Nas páginas, vêem-se os mesmos atores. As fotos de Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, Jader Barbalho, FHC, Lula e outros mais as estampavam, como nos anos que antecederam e nos que sucederiam.

No Congresso, falava-se de CPI, a do orçamento, de corrupção, talvez o maior esquema da história. Pasme! Tinha até envolvido do PT em denúncia. Nada de novo. O PMDB, dividido, tentava se entender. Na pauta de discussões, privatizar ou não privatizar? Parados no tempo!

Confesso! Para rodar, rodar e não sair de onde sempre estivemos, seria melhor ter ficado naquele ano. 1994 pelo menos foi marcante. Havia, ao menos, a esperança de mudança – inútil, diga-se, mas como saber então? O ministro da Fazenda FH apresentava a todos a moeda que colocaria fim ao pesadelo da inflação. O mesmo seria eleito para colocar o país na rota do desenvolvimento tão esperado, tantas vezes anunciado e não menos vezes frustrado. “Agora vai!”, era o título de editorial da Veja.  

No esporte, o Brasil perdia o herói que faltara em sua história política. Dois meses depois, no futebol, o Brasil colocava fim a 24 anos de jejum e conseguia a façanha do tetracampeonato mundial, com os mesmos Parreira e Zagalo no banco. 

Era o anúncio dos novos tempos, nos quais nada do que havia sido seria de no novo do jeito que fora um dia.

Mas o tempo foi paciente e cruel para contrariar os crédulos e, mais uma vez, em 2006, mostrar que o Sol sempre nasce no mesmo lugar e que não há nada de novo debaixo dele. Por isso, em 31 de dezembro, coloque sua melhor roupa, como em todos os anos, encha sua taça de um bom champagne e brinde: Feliz 1994!

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2 Comentários so far
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Muito bom Gersão. Muito bom mesmo!
abs

Comentário por Lusa

Dá-lhe, Gerson!!!!
Como sempre você me surpreende. Poderia dizer um frase, que é muito utilizada na Física e que eu ultimamente tenho utilizado muito: “Tudo é Relativo”. Mas seu artigo desbanca essa “máxima”. Infelizmente, o coronelismo ainda existe, os crimes do colarinho branco, CPI, corrupção, escândalos, trabalho escravo. O que me deixa realmente triste, é saber que essas coisas ainda continuaram a acontecer… e ainda piores.
Abs

Comentário por Emerson (Bobby)




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