Domínio Público


O tal espírito natalino by Gerson Freitas Jr.
21 dezembro, 2006, 3:56 pm
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Confesso, não estou de muito bom humor hoje. Desconsidere, então, caro leitor, quaisquer rabugentices em época pouco apropriada para tal. Sim, pois Natal não é tempo para chorar pitangas, leite derramado ou algo que o valha. Pelo contrário, espírito natalino pede confraternização, família, alegria, muita comilança, cartões (isso existe ainda?), telefonemas (e isso?), além de afloramentos otimistas.

Nada contra. Na verdade, é o que eu mais gosto no Natal. O problema é que a data me deixa meio reflexivo, me faz pensar. E, quando a gente pensa, descobre que seria melhor se não pensasse.

O Natal é uma ocasião particularmente especial para os cristãos, já que comemora o nascimento de Jesus Cristo em Belém, há quase 2 mil anos. No cristianismo, o Filho de Deus encarnado em um bebê significa a redenção do homem com o Criador, a salvação da humanidade separada de Deus e condenada desde que Eva e Adão comeram o fruto da árvore que lhes permitia conhecer o Bem e o Mal. Culpa de Eva, é bom que se diga.

Mas o Natal há muito perdeu sua conotação estritamente religiosa. Na verdade, rompeu os limites da religião, de seu próprio significado e propósito originais, e passou a integrar a cultura ocidental, se secularizou. Não caio aqui na heresia de dizer que se tornou apenas mais uma data comercial. Ou até mesmo de fazer uma pequena provocação e insinuar que o natal pós-moderno é um culto ao consumismo, uma celebração a Mamon. Seria meio que injusto, ainda que meio verdade.

Não se pode desprezar o tal espírito natalino, dessa época do ano em que as pessoas, em geral, independente de seus credos e não credos, ficam mais humanas e sensíveis às necessidades alheias. Cabe perguntar o que as leva ou eleva a tal estado, se não um sentido quase religioso inerente ao ser humano, sufocado por uma sociedade competitiva e egoísta, de praticar o bem, de manifestar afeto e de desejar até a ilustres desconhecidos um Feliz Natal, seja lá o que isso quer dizer exatamente.

De qualquer forma, se o Natal cristão celebra o nascimento de Cristo, o Natal secular parece celebrar o renascimento de valores que andam esquecidos. Em última instância, celebra o renascimento da humanidade, de uma humanidade mais humana, com atitudes humanas. Talvez seja esse o tal espírito natalino de que tanto falam. A pena é que dure tão pouco. 

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