Domínio Público


Rompante Machista by Eduardo Simões
28 fevereiro, 2007, 3:17 pm
Filed under: Eduardo Simões, esportes, feminismo, futebol, igualdade, machismo, sexo, sociedade, tênis, vôlei

Por esses dias uma notícia provocou comemorações daqueles (e daquelas, principalmente) que defendem a igualdade entre os sexos. O tradicional torneio de tênis de Wimbledon, talvez o mais tradicional do mundo, decidiu finalmente igualar a premiação da campeã do torneio feminino ao do campeão do masculino.

Está certo que a comemoração foi discreta, ninguém saiu ateando fogo em sutiãs nem nada, mas foi uma notícia que agradou, foi tida como uma conquista daqueles que lutam pela igualdade dos sexos.

Pois eu lhes afirmo que foi uma conquista das mulheres, não uma conquista da igualdade entre homens e mulheres, mas um benefício para as mulheres, um benefício que dá a elas uma vantagem sobre eles.

Isso mesmo. O fato de Wimbledon ter seguido o exemplo já adotado pelos outros torneios de Grand Slam coloca a mulherada do tênis com um benefício que a marmanjada não tem. Nada contra Sharapovas, Kournikovas, Hantuchovas e outras belas das quadras. Nada contra outras menos dotadas nesse quesito como Mauresmos, Davenports e Navratilovas (aliás, é impressionante a proliferação de Ovas nesse esporte, mas isso é outra história).

O problema é que um tenista, para vencer uma única partida de um torneio de Grand Slam, precisa derrotar o oponente em três sets, enquanto as tenistas conquistam a vitória se vencerem dois sets. Isso significa que, em um jogo duro do masculino decidido em cinco sets, pode chegar a quatro horas, às vezes até mais. Enquanto que um duelo de titãs no feminino, na melhor (ou pior) das hipóteses chega na casa das três horas.

Essa é a diferença. É óbvio que assim a regra determina porque –e isto é cientificamente comprovado—homens e mulheres têm diferenças biológicas entre si. Por mais que a tenista francesa Amelie Mauresmo tenha um canhão no seu saque, o canhão dela vira bala de festim se comparado ao poderoso saque de um Andy Roddick, por exemplo; Por isso não faria sentido colocar a mulherada para jogar o mesmo número de sets que os barbados disputam. Por isso que a bola do basquete feminino é mais leve que a do masculino, a cesta menos alta e etc.

O único esporte em que as regras e medidas são idênticas para meninos e meninas é o futebol e, venhamos e convenhamos, a diferença não só técnica como de espetáculo entre o masculino e o feminino é avassaladora. Por isso que eu sou favorável a adaptações no futebol das meninas, como campo menor, bola mais leve, etc.

Voltando ao assunto inicial, não é questão de defender que os atletas masculinos devem receber mais só por terem nascido com um pinto. A questão é simples, fria e calculista. Nos Grand Slams eles têm que vencer mais sets que elas para triunfar. Questão de justiça. No vôlei, por exemplo, sou totalmente favorável à remuneração igualitária. Homens e mulheres disputam partidas em melhor de cinco sets, a premiação deve ser a mesma.

Além do mais a natureza, ou –para os que acreditam em Deus como eu– aquele que a criou, é sábia. Existem esportes em que as garotas dão um pau nos meninos. É muito mais bonito ver uma apresentação da Daiane dos Santos do que uma do Diego Hypólito, por exemplo. No próprio tênis e no vôlei as versões femininas são uma alternativa bastante interessante para quem já está de saco cheio de porrada no saque e voleio e pontos que não duram mais de trinta segundos com cortadas na casa da centena de quilômetros por hora.

Por fim, eu sou favorável à igualdade de sexos, não àquela hipocrisia de “a mulher tem que ganhar o mesmo que um homem que esteja na mesma posição, mas se sairmos para jantar e ele resolver dividir a conta, não é cavalheiro”.

Ou então, “eu sou mulher, mas sou mais macho que muito homem então não me trate como um ser frágil, mas se quiser passar em casa depois para abrir uma lata de ervilha ou trocar uma lâmpada será bem-vindo”.

“Eu sou uma mulher completamente independente, tenho minha vida e quero que você respeite meu espaço, mas prepara-se para ser acordado de madrugada para vir trocar o pneu do meu carro ou ir comigo ao mecânico para ele não tentar me enganar.”

“Nós não nascemos grudados, eu respeito o seu espaço e você o meu, mas se você resolver ir tomar uma cerveja com seus amigos no dia do aniversário da minha tia Alberta está tudo acabado entre nós.”

Bom, é isso, podem descer a lenha agora meninas, peço só para preservarem minha mãezinha querida que, afinal, é mulher como vocês.

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2 Comentários so far
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Lusita, devido à minha fama pregressa de Jesusa Cristina não vou comentar os últimos cinco parágrafos do seu texto…rs Mas como única mulher no elenco fixo do blog, tenho direito ao meu pitaco.

Quanto ao prêmio, ele é simbólico, não acho que ele tenha que ser proporcional ao esforço físico exigido.

Dadas as óbvias limitações físicas femininas, eu, que não eu tendendo porra nenhuma de tênis, só posso presumir que jogar dois sets para uma “menina” é tão desgastante quanto jogar três para um “menino”. Só isso poderia justificar o tal regulamento.

Além disso, prêmios e salários no esporte, acho que você vai concordar comigo, não são calculados proporcionalmente a méritos – vide os Ronaldos da vida – e não têm, na minha opinião, o menor respaldo na “realidade”.

Bjs.
Dani

Comentário por danielamoreira

Dani,

Não é “simbólcio” não, nem um pouco. Para você ter uma idéia, a campeão do ano passado –quando o prêmio masculino ainda era maior– levou 1,2 milhão de dólares pelo título, o que equivaleu a 95 por cento do prêmio dado ao campeão masculino, segundo a matéria no site http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2007/02/070222_wimbledontenis.shtml
bjs

Comentário por Lusa




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