Domínio Público


Dedos by Eduardo Simões
28 março, 2007, 2:45 pm
Filed under: dia-a-dia, Eduardo Simões, família, pré-julgamentos, sociedade

– Tá vendo aquele cara ali?

– Tô.

– Dá uma sacada na pinta do sujeito. Certeza que deve tirar uns 50 mil o mês brincando, carro do ano, desfila com uma loira maravilhosa. Esse cara não tem do que reclamar da vida.

– É mesmo, acabou de ser promovido, vida de rei. Quem me dera ter a vida que esse cara tem, que me dera viver meia hora que fosse da vida desse cara.

– Pois é, o cara é um felizardo mesmo, sujeito de sorte.

Nisso, o “sujeito de sorte” passa, acena e entra no carro. Apesar de tudo de bom que parece ter à disposição, carrega um semblante preocupado. Apesar dos quase 50 mil mensais, do carro do ano, da “loira maravilhosa” que namora, algo parece preocupá-lo.

Mas como assim? Um cara que tem tudo isso vai se preocupar com o quê? Bom emprego, bom salário, namorada linda. O que mais ele quer?

O que poderia, por céus, preocupar um cara desse? É aquela história, o ser humano é um bicho ganancioso, quando consegue o dedo já não serve mais quer a mão. Mas já dizia a música, não existe na vida coisa mais feia do que gente que vive chorando de barriga cheia.

Sujeito de sorte. Podia pegar a namorada e aproveitar a sexta-feira, ir num bom restaurante assistir a uma boa peça de teatro, mas não. Foi para casa, desabou no sofá. Nem sequer foi ao extenso bar que tem na sala de estar de seu enorme apartamento para tomar uma dose de 12 anos e relaxar.

Parece ter muita coisa em mente. Otário! Eu no lugar dele ia aproveitar, afinal é noite de sexta-feira e há muitas coisas divertidas que um cara jovem, rico e bem-sucedido pode fazer em vez de ficar pensando na vida.

Eu, no lugar dele, ia badalar. Um cara desse, se quiser, pode ter quantas mulheres quiser, independente de namorada. O cara tem tudo que é preciso para ser feliz e aproveitar a vida, mas fica lá sentado, pensando, olhando para o nada. Ah se fosse comigo. Por quê essas coisas não acontecem com as pessoas certas.

Não adianta, Paulo Henrique continua sentado no sofá com cara de preocupado e pensando o que fazer. Negar o empréstimo ao cunhado e provavelmente cortar relações com a irmã, ou emprestar o dinheiro ao cunhado e terminar o namorado e o noivado com a Bruna.

Escolha de Sofia que ninguém que olhasse as aparências e se apressasse em fazer julgamentos poderia imaginar.

É aquela velha história que todo mundo esquece. Quando você aponta o dedo para alguém, sequer percebe que outros três dedos apontam para você.

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2 Comentários so far
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Boa Lusinha!!!!

Comentário por Diego Bonel

nossa, mto bom!

Comentário por Victor Pencak




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