Domínio Público


Esses adoráveis ditadores by Eduardo Simões
4 abril, 2007, 6:06 pm
Filed under: direitos humanos, ditadura, Eduardo Simões, liberdade, política, sociedade

Todo mundo critica, todo mundo fala mal, chegam até a usar a palavra “ditador” como uma maneira de atingir adversários, um xingamento. Mas a verdade é que a maioria gosta dessas figuras polêmicas. Esses caras que se auto-intitulam salvadores da pátria e que se perpetuam no poder por meio de censuras, repressões, eliminação de adversários e cerceamento de liberdades.

E não sou eu quem diz isso não. É o povo. E se a voz do povo é a voz de Deus, viva os ditadores!!! Vá falar mal de Juan Domingo Perón para um argentino. Uma recente pesquisa da Folha de São Paulo junto a 200 notáveis escolheu Getúlio Vargas como o maior brasileiro da história e, em Portugal, um levantamento por telefone sobre os grandes portugueses da história feito pela emissora estatal RTP deu o título a Antonio de Oliveira Salazar.

Napoleão Bonaparte também é um herói francês, Fidel Castro está há quase cinco décadas no poder em Cuba e a lista de ditadores mais amados do que odiados –mesmo que às vezes de maneira clandestina—é extensa.

Os ditadores são como aquelas doses de caipirinha que você amaldiçoa na hora da ressaca, mas corre atrás delas no fim de semana seguinte. É como o Big Brother, que todo mundo fala mal, mas sabe de cor e salteado que o Caubói fez um complô para acabar com o triângulo amoroso entre Alemão, Fani e Siri.

Todo mundo fala mal, mas a maioria gosta. Não importa se o cara mandou uma judia para um campo de concentração nazista só por ela ser casada com um adversário, não importa se ele mandou para o exílio todos seus opositores nem tampouco se ele disse que preferia ver seu país miserável a dependente de potências externas.

É aquela história, todo mundo gosta de liberdade, de ser dono de seu nariz, mas por alguma razão também gostam de seguir um salvador da pátria, um pai dos pobres, um defensor da moral e dos bons costumes, seja ele um antiimperialista ou um caçador de comunistas. Afinal, quem se importa se liberdade, igualdade e fraternidade terminaram em um general megalomaníaco que queria dominar a Europa?

Agora vem a parte broxante, caro leitor. Eu disse tudo isso, mas não vou dar uma conclusão para você. E a razão é simples: eu não a tenho.

Não sei se é comodismo, não sei se é a eterna busca do salvador, não sei se é preguiça ou medo de tomar as rédeas do próprio destino. Só sei o que qualquer imbecil minimamente atento sabe. As pessoas gostam de ditadores.

A maioria que os critica não o faz por serem figuras totalitárias, centralizadoras e opressoras, mas sim por estarem do outro lado de sua esfera política. Um crítico de um ditador de esquerda gostaria de ter um caudilho de direita no comando e vice-versa.

Vai ver é a natureza humana, simples assim.

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