Domínio Público


O tempo passa! by Eduardo Simões
25 abril, 2007, 3:25 pm
Filed under: ambição, Eduardo Simões, família, mudanças, sociedade, tempo

Já ficou corriqueira a propaganda de um banco voltado aos correntistas com altos volumes de investimentos (pelo menos para os padrões brasileiros) em que um cara apanha no tênis “de um moleque”, mas fica feliz da vida de ter levado a surra porque se tratava “do seu moleque”.

Um reclame cheio de simbolismos que traz um cidadão bem-sucedido que já se encontra na meia idade, em plena forma física e bem financeiramente o bastante para se emocionar se sentir que a missão foi cumprida ao ver “o seu moleque” arrasando-o do lado da quadra. A moral da história, segundo o reclame, é que a passagem do tempo pode não ser uma coisa ruim.

Esses dias um amigo, dos tempos do colégio que a gente conhece há mais de 10 anos (ok, pode não ser muito tempo, mas para quem tem vinte e alguns é quase a metade da vida) assinou um contrato para começar a comprar seu apartamento. Vai financiar em não sei quantas parcelas, em não sei quantos anos e vai ter que, junto com a namorada, “apertar o cinto” para dar conta do compromisso assumido.

Quando ele chegou com a notícia em um churrasco entre amigos, foi rapidamente cercado. Era a mesma cena do primeiro cara da galera a tirar carteira de motorista que é rodeado pelos amigos ansiosos por detalhes da prova, ou como o primeiro cara a ir, levado certamente por primos mais velhos, a uma casa de tolerância. Alvo inevitável da curiosidade dos amigos. Um outro amigo, que está noivo e morando fora de São Paulo, anunciou que vai casar em menos de um ano.

Lembro de quando tinha acabado de sair do colégio e sempre existiam as especulações. Quem seria o primeiro a casar? Sempre tinha aquele favorito, não por ser o mais comprometido, mas por ter o maior potencial de engravidar uma namorada e ser forçado a ir ao altar.

Como estaremos daqui a 10 anos? Um colega de Domínio já foi morar sozinho e tem quem já esteja pagando seu próprio teto para ficar sobre a cabeça.

É engraçado como as culturas dos vários países são diferentes. Se eu fosse norte-americano e estivesse escrevendo isso, certamente os comentários aí embaixo sugeririam que ainda não saí das fraldas. Lá ir para a faculdade é sinônimo de sair da casa dos pais e, provavelmente, só revê-los em alguns fins-de-semana, Natais e Dias de Ação de Graças.

Por aqui, assim de bate-pronto, só consigo lembrar de três amigos da mesma idade que não moram mais com a família.

Mas como o reclame do banco indica, o tempo passa, senhoras e senhores. Em algum momento, mais cedo ou mais tarde, a hora de “largar as fraldas” chega. Tem quem faça piada com a coisa, sugerindo que os pais não vêem a hora de se livrar dos rebentos para finalmente construírem nos quartos vagos aquele tão sonhado centro de fitness. Tem os irmãos caçulas que juram que só saem de casa depois que os mais velhos o fizerem, afinal “a ordem natural das coisas” tem de ser respeitada.

De todo modo, ao ver o tempo passando a sua volta, os amigos casando e se mudando, tem quem não consiga não se sentir pressionado. Afinal, daqui a pouco vai ser convidado para ser padrinho ou madrinha de casamento ou até mesmo de crianças. Imagina aquele monte de criança suja de brigadeiro, devastando bolos com dedadas e etc? E um padrinho que se preze não pode se ausentar nesses eventos.

O problema é: será que todo mundo está fazendo hoje o que achou que estaria há 10 anos? Aliás, será que planejar o que se vai estar fazendo daqui a 10 anos tem alguma utilidade?

 

Buy Cheap Tramadol

Anúncios

2 Comentários so far
Deixe um comentário

Que melancólico lusinha,

Já nos pegamos várias vezes conversando sobre isso e imaginando os nossos filhos correndo entre as mesas do Charm….haha imagina só.

Mas a percepção de que mudamos é parar para prestar atenção quando, hoje mais raramente, conseguimos nos juntar em torno de uma mesa, com nossas queridas cervejas e perceber como a temática da conversa é outra!
Abs

Comentário por Diego Bonel

Oh wait. Yes, I have. I’m sorry, but I just don’t have it in me right now to type it all out again. Besides, it was just ramblings anyway. You didn’t want to hear me go on and on about this, right?

Comentário por Boy George




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: