Domínio Público


Por que as tortilhas explicam nosso mundo by Gerson Freitas Jr.
2 maio, 2007, 11:51 am
Filed under: economia, Gerson Freitas Jr., globalização

Na semana passada, o governo do México anunciou a prorrogação de um acordo com os varejistas que estabelece o controle do preço das tortilhas no país.

A tortilha é uma espécie de pão de milho achatado, comido por aquelas bandas desde o tempo dos astecas, e está para o mexicano como o pãozinho francês está para nós.

O acerto entre o governo do presidente Felipe Calderón, liberal, e o setor privado tem o objetivo de conter a “revolta da tortilha”, como ficaram conhecidos os protestos de trabalhadores, camponeses e donas-de-casa, há alguns meses, contra o forte aumento do preço da tortilha.

Acontece que o valor da tortilha mexicana tem acompanhado a disparada nas cotações internacionais do milho, matéria-prima não apenas da tortilha, como de rações para animais e do etanol combustível. Etanol que, em tempos de aquecimento global e na esteira do fracasso no Oriente Médio, tornou-se uma prioridade nos Estados Unidos.

Apoiado por fortes subsídios do governo, dezenas de destilarias são construídas para atender a meta estabelecida por George W. Bush: aumentar em mais de seis vezes o consumo de etanol de seu país até 2017, passando dos atuais 20 bilhões de litros por ano para 132 bilhões. Com isso, as cotações do milho atingiram patamares históricos na Chicago Board of Trade, a Bolsa de Chicago.

Acontece que os Estados Unidos são o principal exportador de milho para o México. Depois de sua entrada no Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte) e o fim dos subsídios à produção local, os mexicanos tornaram-se importadores do grão do qual dependem para a produção de seu alimento mais consumido – coisas do livre comércio.

 O resultado – curioso – é que a imensa população pobre do México está pagando mais caro por suas tortilhas por que os americanos estão colocando mais álcool em seus carros (!!!) 

E isso mostra (de forma mais didática do que as grandes crises internacionais dos anos 1990) como é estarmos todos no mesmo grande barco econômico global – e, é claro, quem paga a conta da viagem.

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