Domínio Público


A revolução do outsourcing by vinacherobino

De repente, uma estimativa mostrou: parada a China, a produção dos Estados Unidos caia automaticamente em 40%. Por mais que o dado seja difícil de se comprovar, ele está bem próximo da sensação de quem trabalha próximo ao tema: tantas empresas estão indo para a terra da muralha (e para a terra do curry) que o capital não tem mais país. Só dono.

E os donos sacaram que é mais barato produzir na periferia. Toca fábricas na China, software houses na Índia, centros de desenvolvimento no Brasil, help desk na Romênia. Assim, sem nenhuma intenção benéfica (que só viria depois que o marketing sacou a tendência), o capitalismo levou dinheiro a partes que ele não chegava antes. Argumente-se que quem é dono assim continua, de fato, mas agora da nuvem de casas muito pobres em Bangalore (chamaríamos de favela), sobe uma agulha de vidro fumê de tecnologia. E tem gente trabalhando aí, gente que não teria um salário daqueles, mesmo sendo esse salário uma exploração danada nos padrões desenvolvidos.

Temos duas reações imediatas aí: Michael Moore encontra uma miríade de novas empresas para denunciar a saída das Flints da vida e rumando para uma, sei lá, Hortolândia. A segunda é que as montadoras japonesas começam a ter interesse em chegar a Botsuana, por exemplo. Imagina um toiotão rodando pelas ruas de Gaborone, rapaz, nas mãos de um filho de fazendeiro que foi estudar engenharia de sistemas??? É o progresso.

Ainda que alguma parte do que chega dos países desenvolvidos não seja exatamente um presente, coisas como essas e outras estão vindo. Inapelavelmente vão chegar junto com as fábricas, com as cargas de trabalho opressivas, com a construção do fenômeno individual e o consumismo. Está chegando junto a vontade de falar, de ouvir. E, malandro, não há acordo entre empresas de pesquisas e governos ditatoriais que segurem isso por muito tempo.

Não digo que os casos de assassinato de bebês meninas na China deixem de ser acontecer agora, mas as Olimpíadas estão aí. Junto com o pódio em ouro e prata e bronze e os anúncios de bolachas, quem sabe não chega também a responsabilidade social em um fabricante de TI que mantém as suas placas produzidas por chineses acorrentados. Ou relembrando os anos pós-1888… Vamos esperar e ver.

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