Domínio Público


0,25 by Gerson Freitas Jr.
23 maio, 2007, 1:22 am
Filed under: Gerson Freitas Jr.

Quem é você?

Não subestime a pergunta.

Quem realmente é você?

Muitas pessoas podem levar uma vida para chegar à resposta. Algumas, como eu, levam 25 anos apenas para fazer a pergunta.

E quando fazem, se assustam. Talvez por descobrirem que não sabem o que dizer diante do espelho. Talvez por não ficarem satisfeitas com o que o espelho mostra. Ou, pior, quando não reconhecem o que vêem refletido.

De repente, nos descobrimos atores em conflito com o que há de mais íntimo e real em nós mesmos. Silenciosa e sorrateiramente, nosso alterego tenta suprimir a pessoa que, angustiada, tenta reagir e grita por socorro. 

Luta para preservar aquilo que talvez não seja tão bom e bonito quanto imaginam ou imaginamos nós mesmos, mas é honesto e verdadeiro. Luta contra a hipocrisia.

A tarefa de se descobrir pressupõe um grande esforço de garimpagem no entulho fantasioso de que nos revestimos, além de uma certa dose de humildade para aprender com quem se encontra debaixo. 

Não surpreende que Cristo tenha dito que a todos era necessário um novo nascimento, sem o qual não se conheceria o Reino de Deus. Tal experiência, que se pressupõe tão profunda e intensa, não podem viver meros retratos, como os do personagem de Oscar Wilde.

Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, outro ensinamento cristão de que gosto muito.  Se a liberdade passa pelo conhecimento da verdade, nada melhor do que começar pela verdade sobre quem somos. 

Mesmo porque, já afirma a canção, a verdade explode cada vez que mentimos. E ela parece nos colocar sempre em franca contradição, em posição de equilibrista de circo, apenas contando os minutos até que os pinos desabem no chão.  E eles hão de cair.

E então nos vemos envoltos em dúvida, em meio às incertezas e ao vazio que sobraram de tudo aquilo que antes parecia sólido como uma rocha e então ruiu. Puxam o seu tapete e você se descobre sem chão, incapaz de firmar seus pés onde quer que seja.  “Eu sei que acertaria se soubesse em quem acertar. Eu participaria do movimento, se houvesse alguém em que pudesse confiar”, grita o acrobata.

Abrimos então mão de conceitos e pré-conceitos, de verdades absolutas e da clareza das respostas e nos permitimos simplesmente fazer perguntas. Perguntas que incomodam, que estremecem e causam rebelião, mas que nos fazem sentir vivos de novo.  Quem somos, um quarto de século depois?  Somos um, (mas certamente) já não somos os mesmos.

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1 Comentário so far
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É meu querido amigo, o mais difícil da vida é sobreviver conosco mesmo! Mas fique feliz, a gente consegue dia-a-dia e aos poucos nos surpreendemos quando olhamos para trás, mesmo que seja para ver os poucos passos que demos! 1/4 de século ainda é pouco… como diria aquela velha propaganda do “Filtro solar” -> “Algumas das pessoas mais interessantes não sabiam o que fazer aos 20… outras ainda mais interessantes não sabem aos 40”!
Carpe diem!

Comentário por Rafaela




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