Domínio Público


Nem Vavá, nem USP, nem Parada Gay by Eduardo Simões
13 junho, 2007, 2:45 pm
Filed under: dia-a-dia, Eduardo Simões, escrever, saco cheio

Pois é leitor que eu sequer sei se existe. Cá estou após duas semanas de ausência para receber minha justa punição e para dar minhas injustificáveis desculpas por abandoná-lo nesses 15 dias.

Faltei com minha obrigação de deixar aqui alguma reflexão, pensamento ou simplesmente algo sem a menor utilidade todas as quartas-feiras. Ocorre, prezado leitor, que minha credibilidade e minha criatividade estão tão em baixa que, esses dias, ao recomendar a um amigo o filme “Os Infiltrados”, recebi um olhar de desprezo, pois ele achou que eu estava a sugerir a ele um filme pornográfico na frente de sua namorada.

E olha que não abandonei você, leitor que eu sequer sei se existe, por falta de assunto. Podia falar da ocupação da USP, podia falar que essa história de esquerda e de direita é uma mentira, fruto da necessidade das pessoas de encontrarem rótulos. Poderia ainda dissertar sobre a má fase da minha Lusa, ou sobre o fato de, em meio à ebulição de protestos vivida pelo país, não haver sequer um que se levante contra as várias evidências de corrupção em todas as esferas da República. Podia dizer que não se fazem mais movimentos em prol do bem comum, como as Diretas Já, mas apenas movimentos em prol do bem das minorias. Coisas corporativistas.

Podia gerar polêmica e dizer que a Parada Gay devia sair da Paulista, ser acusado injustamente de homofobia só por defender que uma das principais vias públicas de São Paulo fique livre e desimpedida na volta de um feriado prolongado. Quem sabe poderiam até insinuar que sou um gay enrustido por defender que a Parada ocorra no Sambódromo.

Podia ainda falar do irmão do Lula, do compadre do Lula ou do amigo do compadre do Lula. Em vez disso, leitor que eu suponho existir, calei. Não publiquei, não discuti, não debati.

Talvez por receio que você confundisse “Os Infiltrados” com uma produção pornô barata, ou que achasse que, se for para reclamar do seu time, faça isso na barraca de bolinho de bacalhau em frente do Canindé, não na tela do meu computador.

A verdade, leitor virtual, a mais pura e inconfessável verdade, é que eu estava sem saco. Sentava para escrever e perdia a vontade. Sei lá se a culpa é sua, como disse um colega deste blog certa vez, ou se ela é minha. O fato é que vários fatores, a esmagadora maioria sem nenhum nexo com este Domínio, me deixaram de saco cheio. E quem pagou a conta (ou foi beneficiado) foi você, suposto leitor.

Pode considerar um desrespeito, pode me xingar. Eu mereço mesmo. Pelo menos eu fui sincero com você. Dizem que o mundo seria melhor se as pessoas fossem francas umas com as outras. Vai saber.

Anúncios

2 Comentários so far
Deixe um comentário

Caro Lusinha,

Não sei os outros, mas eu existo. Pode contar comigo para ler seus devaneios. Confesso que normalmente é quando estou de saco cheio e leio para ficar imaginando sua cara dizendo tudo que você coloca no teclado….haha

Um grande abraço, meu velho!!

Comentário por Diego Bonel

Lusa,

Do ponto de vista desse leitor voce está cada vez mais sabio. Seu texto é uma beleza. Pra que discutir Parada Gay, Vavá ou USP, se é muito mais divertido discutir voce. Voce virou assunto aqui no banco depois que acharam seu texto na impressora e me proporcionou um nostalgico momento de “Contos do Lusa”. Acho que vcs ganharam alguns novos supostos leitores. Parabens parceiro. Cada vez melhor!

Abços e saudações Santista

Comentário por Eduardo Rubim




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: