Domínio Público


Desconstrução by Eduardo Simões

Por que todo mundo diz que o Brasil perdeu a identidade com sua seleção de futebol se a Argentina –ok, vou falar bem deles—também tem uma maioria de atletas jogando na Europa, também só disputa amistosos na Europa, também vê seus craques saindo do campeonato local para a Europa cada vez mais novos e a gente não vê a imprensa Argentina dizendo que o time nacional não tem identidade com o país?

E essa história de direita ou esquerda, de destro e canhoto, de PT e PSDB, de DEM e de PSOL? Isso serve realmente para alguma coisa ou o inevitável e cruel destino é, depois de derrotas em três eleições presidenciais, a Heloísa Helena vencer o pleito de 2018, se tornar a primeira mulher presidente, todo mundo dizer que a mudança chegou e que a esperança venceu a medo para, logo no primeiro ano, todo mundo ver que era a mesma coisa?

Um Setúbal ou um Moreira Salles virar presidente do Banco Central, os “monetaristas” voltarem a triunfar sobre os “desenvolvimentistas”, os escândalos continuarem em profusão e uma ala de extrema esquerda do PSOL ser expulsa do partido para fundar uma nova legenda “guardiã do socialismo democrático” e propor CPIs e representações aos Conselhos de Ética aos milhões?

E a ação da Polícia e da Força Nacional de Segurança no Rio? Vai durar? Ou depois do Pan, todo mundo volta para casa e o morro volta ao controle dos traficantes? Não era mais fácil trocar ingressos na final do vôlei por uma trégua nos morros? Não morreria menos gente que não tem nada a ver com o tráfico?

E a atuação “republicana” e investigativa da Polícia Federal? Aliás, será que não estão banalizando a palavra “investigação”? Não seria melhor chamar de “grampeação”? Por que não mudamos a Constituição e não tornamos o grampo legal? Um órgão do governo ficaria encarregado de analisar os grampos de todos os brasileiro e por indiciar aqueles que são pegos no pulo. Desde o cidadão que admite que roubou um pãozinho até o mega corrupto usurpador dos cofres públicos. Seria a Grampobrás e, em seu estatuto, ficaria proibido a indicação de qualquer filiado do PMDB, o que diminuiria em 90 por cento as chances de ser loteada politicamente.

Aliás, e o Conselho de Ética? Quando vai ser merecedor do nome? Por que não, conselho de corporativismo? Ou esse nome deveria ser, na verdade, dado aos plenários das duas Casas do Parlamento?

E afinal, por que raios ainda discutimos a ditadura militar, os anos de chumbo? Por que mil demônios nos debatemos sobre quem foi bacana e quem foi feio, bobo, bocó e cara de fuinha naquele período, se aquele período já acabou há mais de 20 anos?

Se o caos nos aeroportos é o preço do sucesso, como disse o ministro da Fazenda, por que o “espetáculo do crescimento” não provocou um boom na venda de jatinhos?

Se o Catolicismo é a única maneira de salvação e a única religião de Cristo, como disse o papa, isso quer dizer que todo mundo que não for católico vai arder no inferno quando passar dessa para a pior (no caso, porque dizem que o inferno não é exatamente um lugar divertido)?

Será que não importa se você é uma pessoa correta, direita, honesta, cumpridora de seus deveres, ajuda o próximo quando pode, será que nada disso vale se você escolheu a religião errada? Quer dizer, se o cara é o santo na Terra e ele não escolheu “a única religião de Cristo”, ele vai arder nas chamas de Lúcifer?

Será que, além de ser honesto, não roubar, não matar, não cobiçar a mulher do próximo e todas essas coisas, o cara ainda tem que adivinhar qual a religião de Deus, qual a religião que Ele quer que sigamos? Se Deus é bom e misericordioso, por que todo mundo diz para as crianças: “se você não for um bom menino, Deus vai castigar”? Qual Deus é o da “verdadeira religião de Cristo”? O que multiplica os peixes para dar uma força para os pescadores, ou o que castiga as crianças que não se comportam direito?

Por que uma criança que morre ao nascer e, portanto não teve tempo de ser batizada, deve padecer o resto da eternidade no limbo? Que culpa ela tem por, ahn, vejamos, morrer ao nascer?

Por fim, será que um raio vai cair na minha cabeça nos próximos instantes, ou o chão vai se abrir sob meus pés ou terei o mesmo destino de Salman Rushdie ou José Saramago e serei condenado pelo que escrevi?

Se isso acontecer, vou fazer como Pedro. Não me sinto à altura de ser condenado à mesma coisa que esses caras muito mais legais, inteligentes e espertos do que eu. Crucifiquem-me de ponta cabeça.

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