Domínio Público


Sobre igrejas e Reinos by Gerson Freitas Jr.
24 julho, 2007, 2:27 am
Filed under: Gerson Freitas Jr., religião

Confesso, sou um péssimo protestante, longe que estou de um punhado de dogmas defendidos pela igreja. Mais do que isso, pelo crítico que me tornei da instituição e dos crentes, do puritanismo demagógico a algumas aberrações neopentecostais, a começar pela famigerada e escandalosa teologia da prosperidade. Descobri tardiamente que os ritos, as tradições, os costumes e certas doutrinas são um fardo às vezes pesado, que congestiona as vias que elevam o espírito. Se a fé nos aproxima de Deus, a religião muitas vezes nos afasta Dele.

Mesmo assim, não falta quem veja na instituição religiosa o caminho para se chegar a Deus, e não falta igreja que  se coloque na condição de Único Caminho para a salvação em Cristo. Cansei de ver isso entre os protestantes. E por isso não me choquei como muitos irmãos ao ler as “Respostas a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja”, documento publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé e chancelado por Bento XVI faz alguns dias.

Basicamente, o documento reafirma o caráter central e único da Igreja Católica. “Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica […]. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”, diz o texto. Por “subsistir” entende-se “a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica”.

Sobre as igrejas protestantes, nascidas na reforma do século XVI, o documento reconhece que “não se pode dizer que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação” (Ufa!), mas afirma que “não podem, segundo a doutrina católica, ser chamadas “Igrejas” em sentido próprio”, uma vez que “não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um elemento essencial constitutivo da Igreja”.

O documento apenas ratifica o que para mim já é convicção – o de que as igrejas cristãs se parecem muito pouco com Cristo e Sua mensagem. O que se pode apreender de uma história de intolerâncias, perseguições, guerras “santas”, divisões, abusos e genocídios e, mais recentemente, charlatanismos. O que não surpreende, já me alertara Daniela Moreira, porque a igreja é feita de homens. Homens pecadores, desta vida e deste mundo, que ainda não se fizeram crianças e, por isso, não podem entrar no Reino dos Céus.

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4 Comentários so far
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Gerson…
Tempos atrás, aprendi através de grandes amigos que o Reino de Deus não está necessariamente vinculado à igreja… E eu sinceramente gostaria que fosse o contrário, não nego. Mas a sua finalização confirma muito esta questão. Sabe, lembrando de uma música que eu gosto muito, vejo que se esqueceram de algo: que o mais simples fosse visto como o mais importante.

Comentário por Lemos

Olá Gerson

Muito bom o seu post, tambem me encontro no questionamento das tradições e da religiosidade do chamado “evangelicalismo”.

como disse João Alexandre… “enquanto o domi9ngo ainda for nosso dia sagrado….” não tem jeito não, não tem jeito !

Comentário por Ricardo Vitorino

Ah ! parabéns pelo Blog !

Comentário por Ricardo Vitorino

Meu caro, assim como você, me enquadro no grupo de pessoas críticas às instituições religiosas. Costumo dizer que as religiões são como os partidos políticos. Todos prometem um fim maravilhoso, mas muitas vezes o meio utilizado para esse fim são benéficos apenas para os “guias” ou “representantes” desses grupos. Esse documento endossado pelo Papa é como dizer que o PT é o único partido que representa os trabalhadores ou que os tucanos são os únicos representantes legais da social democracia como manobra para atrair mais adeptos. No final das contas, todos eles defendem seus próprios interesses e pouco importa quem se afilie, desde que o faça.

Comentário por Alexandre Inacio




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