Domínio Público


O conclave de Renan by Eduardo Simões
13 setembro, 2007, 2:40 pm
Filed under: democracia, Eduardo Simões, política, religião

Postado por Eduardo Simões

O cenário não foi a Capela Sistina tendo como testemunha os afrescos de Michelangelo, mas o evento que se passou ali no plenário do Senado parecia tão ou mais importante do que a escolha de um novo papa.

Ok, imagino que quem não é católico deve estar dizendo “e foi”, mas há de convir que a escolha de um novo papa é o tipo de evento que não passa desapercebido nem mesmo para um ateu, quanto mais para judeus, budistas, muçulmanos e protestantes. Não sei se dá para dizer o mesmo sobre a votação que livrou a cara do Renan, mas que o clima era de mistério como em um conclave, isso era.

Ninguém podia entrar no plenário. Tirando os senadores, só aqueles que tinham um documento da mais alta instância do Judiciário podiam entrar e, ainda assim, não antes trocar uns tabefes com os seguranças do Senado. Com roupas longe de serem tão elegantes quanto às da Guarda Suíça, eles estavam ali para garantir o segredo e o mistério em torno da sessão.

Talvez as comparações com a escolha de um novo sumo-pontífice parem por aí. Pouca gente viu a escolha de Ratzinger, futuro Bento 16, assim como algo em torno de uma centena de pessoas presenciaram a sessão que livrou Renan da cassação, mas pode-se imaginar que, no segundo caso, o evento não foi recheado de orações e reflexões sobre o futuro da Igreja como teoricamente deve acontecer no primeiro.

As poucas notícias que se têm é de que, numa sessão secreta no que deveria ser a Casa do Povo, foram feitas ameaças de lançar lama no ventilador para que ela respingasse até mesmo em chamadas “reservas morais” do Senado. Dos poucos relatos que se têm conhecimento, pode-se tirar apenas que foram feitos conchavos pela abstinência, embora nesse caso a abstenção não tenha nada de católico, cristão ou sequer caráter religioso.

O que foi público foi o placar: 40 votaram para livrar Renan, 35 optaram por cassá-lo e seis seguiram o exemplo de Pilatos –só para me manter na seara religiosa—e lavaram as mãos. Renan se safou, por enquanto. O que ninguém disse ainda foi se a fumaça que saiu da chaminé do Senado após a votação foi branca ou preta.

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11/09 by Gerson Freitas Jr.
11 setembro, 2007, 11:51 pm
Filed under: Gerson Freitas Jr., guerra

Por Gerson Freitas Jr

O dia 11 de setembro é uma verdadeira celebração à estupidez humana. Está bem longe de ser a única e tampouco a maior, diga-se, mas marcou.

Virou chavão dizer que todos se lembram exatamente do que faziam há exatos seis anos, quando a TV mostrou ao vivo o ruir das Torres Gêmeas – símbolo do poderio financeiro americano – depois de atingidas por aviões seqüestrados por terroristas.

Mas, de fato, me dei conta de que jamais vou esquecer aquela sensação de testemunhar um momento que prometia mudar a história; e aquele ridículo sentimento estudantil de que alguém havia, em nome dos oprimidos do mundo, se vingado do Império Americano.

Quanta ilusão! Osama Bin Laden, com os quase 3 mil mortos de Nova York, conseguira apenas inflar a sensação de insegurança em nome da qual os Estados Unidos sustentaram uma bilionária, absurda e mentirosa campanha bélica que teria resultado na morte de mais de 600 mil iraquianos, destruiu um país e rasgou todas as convenções internacionais.

“A cobra picou-lhe o pé, que lhe esmagou a cabeça.”

E por isso o dia 11 de setembro deve ser chorado, porque começou a escrever mais um capítulo da história de vergonhas da humanidade. Apenas um capítulo. Há seis anos…