Domínio Público


Chuck Norris para presidente do Mundo Livre by Gerson Freitas Jr.
1 fevereiro, 2008, 2:00 pm
Filed under: democracia, Eduardo Simões, Eleição norte-americana, eleições

Por Eduardo Simões

Seria um bom slogan: “Chuck Norris para presidente do Mundo Livre”. Sem sombra de dúvida uma candidatura à qual somente Macgyver ou Rambo poderiam fazer frente. Mas em vez disso, Chuck preferiu a modéstia e resolveu apoiar para presidente dos Estados Unidos, ou líder do Mundo Livre, um republicano sem chances de receber a indicação do –vejam só– partido vermelho norte-americano.

Com essa decisão, Chuck colocou no limbo os sonhos do “Prefeito da América” Rudy Giuliani de chegar à Casa Branca. Imaginem uma propaganda na TV com Chuck e Rudy saindo triunfantes dos escombros do World Trade Center carregando em conjunto a cabeça decepada de Osama Bin Laden. Seria o golpe final em qualquer sonho democrata de chefiar a maior potência do mundo.

Mas Chuck Norris não é mais o mesmo. Em vez disso escolheu o ultra-religioso ex-governador do Arkansas Mike Huckabee para apoiar. Resultado: nem Rudy nem Mike, o partido vermelho dos EUA caminha para indicar como seu candidato um ex-prisioneiro de guerra do Vietnã, o septuagenário John McCain, que já recebeu o apoio do Prefeito da América, mas ainda espera pelo apoio de Chuck.

Enquanto aguarda ansiosamente a oportunidade de levar as lembranças das torturas sofridas nas mãos dos “porcos comunistas” ao Salão Oval, McCain, que aparentemente não é o dono da marca de batatas fritas, já coloca no bolso o apoio de outro “Durão da América”. Sim, senhoras e senhores, Arnold “O Exterminador” Schwarzenegger vem aí. Com um apoio desses McCain pode até dispensar Chuck Norris e já tem até mesmo seu discurso preparado para uma eventual derrota: “I’ll be back!”

Enquanto McCain tem pelo seu caminho somente o ex-governador de Massachusetts Mitt “eu só tenho apoio da minha fortuna pessoal” Romney, a briga democrata é bem mais divertida, principalmente depois da desistência do ex-senador norte-carolino John Edwards. De um lado do ringue, senhoras e senhores, a ex-primeira-dama que entende as necessidades carnais de seu marido Hillary Rodham Clinton. De outro, o senador filho de queniano com sobrenome de ditador do Oriente Médio Barack Hussein Obama.

Isso significa que, em se confirmando a vitória de McCain pelo lado do partido vermelho, a eleição de novembro para presidente do mundo terá um resultado histórico. Se Hillary vencer, será a primeira mulher a comandar o planeta. Festa feminista. Sutiãs às fogueiras! Se McCain vencer, será o homem mais velho a ser eleito para um primeiro mandato na Casa Branca. Festa nas clínicas geriátricas de todo o mundo. No caso de uma vitória de Obama, pela primeira vez na história um negro estará à frente da maior potência mundial. No além Martin Luther King Jr e Malcom X certamente celebrarão.

Enquanto isso, nós aqui no quintal deles, na parte debaixo do continente, tentamos entender uma eleição como nunca antes se viu na história daquele país. Tentamos entender por que o partido mais à direita, o republicano, é o vermelho, enquanto por aqui a cor é (ou era) mais identificada com os canhotos. Tentamos entender porque os liberais e os democratas de lá são considerados os mais esquerdistas, enquanto aqui a Frente Liberal, agora Democratas, é vista como conservadora. Mas espera aí. Não são os vermelhos de lá -os republicanos- que vivem brigando para saber qual deles tem mais “credenciais conservadoras”?

Ficamos aqui, no Terceiro Mundo, agora mundo em desenvolvimento, tentando entender que tanto esses gringos falam de “founding fathers” nas eleições, enquanto em terras brasileiras o que mais influencia os pleitos são os “funding fathers”, que, apesar de sua inquestionável importância, são sempre jogados para debaixo do tapete do caixa dois e dos recursos não-contabilizados.

E que história é essa de disputa Estado a Estado pela indicação partidária? Por que eles não fazem como aqui, onde meia dúzia de caciques partidários se reúnem e simplesmente apontam os candidatos de cada legenda?

Mas deixemos as esquisitices desses gringos de lado, afinal, meus amigos, o Carnaval vem aí. E o que importa agora é ziriguidum e esquindô.

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário

que chatiçe.

Comentário por natile




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: